Catarina Antunes: Onde queremos estar daqui a 10 anos?

Por a 30 de Novembro de 2016
Catarina Antunes

Catarina Antunes

Esta foi a pergunta que coloquei a mim própria há cerca de dois anos e meio. Desde a minha adolescência que tive a pretensão de vir a ser designer. Não foi um percurso fácil visto ser uma profissão algo desvalorizada pela maioria das pessoas que me são próximas. Depois de um percurso em agências, prémios, Young Lions (design) e publicações internacionais, tinha chegado a altura de fazer uma retrospectiva do que percorri e do que desejava alcançar.
A minha resposta levou-me ao concretizar de um novo sonho, ter a minha agência. Não foi fácil embarcar nesta nova aventura, foi necessário um empurrãozinho para acordar e começar a criar ao invés de apenas sonhar, comecei sem qualquer tipo de investimento, sem nenhum colaborador, apenas com um sonho e muita vontade de desenvolver trabalhos na área que mais gosto. Designers desenvolvem todos os dias projectos nos quais realmente acreditam para todo o tipo de clientes e negócios, no entanto, nem sempre acreditam ou investem nos seus próprios projectos de vida, o que pode levar à estagnação da sua evolução. O comodismo leva-nos a adiar o que realmente ambicionamos fazer em prol da nossa individualidade quando trabalhamos para terceiros. Criamos mil e uma desculpas para adiar os nossos sonhos, como o tal projecto que é mais ambicioso e muitas vezes incerto, desistimos porque simplesmente receamos correr riscos.
Foi necessário um empurrãozinho para começar o meu, a Bunker Agency, agência que criei em conjunto com o meu actual partner Pedro Alvarez que teve também um papel crucial na luta contra os meus medos de correr novos riscos. Não vou dizer que foi fácil, é preciso gostar muito do que se faz, ser positivo, ter ambição, estar sempre à procura de novas oportunidades e trabalhar mesmo muito.

“Have no fear of perfection you’ll never reach it” – Salvador Dali.

Este ano fui surpreendida ao ser convidada para falar em Roma no Eurobest com o tema “Risks to be Successful”, irei falar sobre o meu percurso e alguns riscos que temos de correr para irmos mais além enquanto designers sem ficarmos presos no comodismo de um simples emprego com regras e mentalidades estipuladas. É extremamente gratificante quando sofremos, aprendemos e vencemos para alcançarmos os nossos objectivos.
Ainda não sei onde estarei daqui a oito anos, no entanto sei que neste momento estou a tentar concretizar o meu sonho. E vocês?

Artigo de opinião de Catarina Antunes, que será oradora no festival de criatividade Eurobest, que decorre até dia 2 de Dezembro em Roma

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