Brand love, uma questão de paixão para se ser presidente dos Estados Unidos

Por a 8 de Novembro de 2016

Carlos Alves RosaVotar Donald Trump ou Hillary Cliton já não é uma questão de confiança, mas sim uma questão impulsiva de… “amor” à marca.
Quando Aahron Ahuvia (1) começou a peregrinação sobre o “Brand Love”, mal sabia o papel determinante que a sua teoria científica iria desempenhar para o bem estar das populações. De facto, o amor a qualquer pessoa ou objecto não se explica; é de origem predominantemente inconsciente, provem do mundo dos sentimentos e sente-se pela emoção, pelas sensações e pelas percepções que moldam as atitudes e actuação dos indivíduos. Donald Trump, com a sua estarrecedora postura pública (e privada), tal como tem vindo a ser revelado pelos media, estabelece uma relação emocional de amor- ódio, muito mais forte do que aquela sentida por Hillary Clinton, que projecta a “imagem presidencial” muito racional e séria, mas “morna”.
Votar Trump ou Clinton não é já uma questão de confiança, mas muito mais uma questão impulsiva de… “amor” à Marca. Situemo-nos, pois, neste ponto. Clinton merece ser objecto do nosso “amor”? Penso que dificilmente sentiremos essa atracção irresistível. A candidata democrata, já muito “desroupada” do mistério da “novelty” – que impulsiona o mundo – contrasta com a imagem de um Trump “aventureiro” que nos propõe uma ruptura com o “estabelecido”, um reflexo mais associado a Hillary Clinton a quem, como é sabido, os votantes exigem mais pelo simples facto de ser mulher. Donald Trump não é socialmente correcto, mas é ousado (mesmo que desbocado e intoleravelmente inconveniente). Apesar de, paradoxalmente, o candidato republicano ser símbolo do poderio económico, financeiro e social, a receosa opinião pública americana – que já está “escaldada” pelo neoliberalismo de Wall Street – dilui esta imagem na figura do “Bilionário Robin dos Bosques” que pretende endireitar o sistema.
Esta poderosa noção romântica de cariz emocional é a peça central da candidatura republicana de Trump que, contraditoriamente, nega os valores da tradição, da continuidade e da estabilidade aburguesada da middle class norte-americana. A “razão de ser” da candidatura Trump-Pence focaliza-se no conceito de força, de mudança, de capacidade de “repor o sistema na ordem”, o que gera uma dinâmica telúrica que ofusca a radical simplicidade – mas cuja mensagem não se perderá no ruído mediático – da racionalidade soft da campanha de Clinton-Kaine (“Cliton for President…”). Mas, será esta a razão pela qual um eleitor deve votar no candidato? A questão, na realidade, é que a truculenta actuação de Trump, crivada de incidentes escabrosos, de dúvidas, calúnias e outras “trapalhadas” que o próprio gerou com a sua actuação de “incontrolável cabeça-quente”, tem virado para Clinton alguns votantes, incluindo muitos tradicionalmente republicanos, mas não suficientes intenções de voto que a façam descolar do adversário. De facto, as sondagens não conseguem esclarecer plenamente sobre o vencedor, apontando nalguns casos para um possível “empate técnico” por diferença mínima dentro da margem de erro estimada.

Artigo de opinião de Carlos Alves Rosa, professor de Marketing no IADE – Creative University
(1) De acordo com Carroll and Ahuvia (in brandlovecentral.com/home/), brand love é uma relação emocional e apaixonada entre um Consumidor satisfeito e uma Marca.

 

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