Como ser uma marca esférica?

Por a 4 de Outubro de 2016

Filipa PrimoA inovação é um dos principais alicerces da comunicação. A cada minuto surgem novos modelos, novas ferramentas, que são fruto do veloz desenvolvimento do mundo digital e das novas tecnologias. Os dados falam por si e são vários os exemplos que mostram as mudanças na forma como trabalhamos, vivemos e comunicamos. Um estudo desenvolvido pela Online Business School indica que, em todo o mundo e apenas num minuto, são enviados 204 milhões de e-mails, são criadas 100 novas contas de LinkedIn e são descarregadas 37 mil apps. Por outro lado, é bem conhecido o fenómeno dos youtubers: hoje são reconhecidos como comunicadores capazes de chegar, da forma mais eficaz, aos mais jovens que compõem a Geração Z.
Chegou o auge da nova era da comunicação, que deixa de ser apenas cara a cara, mas também, e principalmente, através da tecnologia. Hoje o cenário é outro, onde as oportunidades para as marcas são imensas e apetecíveis de explorar. O sucesso está precisamente na capacidade de ouvir e conhecer o mundo global em que vivemos – onde não há fronteiras entre as plataformas – e de responder aos desafios que se colocam diariamente.
Mas o processo não é simples. Muitas marcas mais tradicionais são resistentes à inovação, por temerem o desconhecido, que foge à “zona de conforto” da estratégia de comunicação que seguem, há anos. Por isso mesmo, este é um desafio apenas para marcas que arriscam e pretendem elevar o posicionamento no mercado, diferenciar-se da concorrência e criar impacto no consumidor. A primeira regra é a mais importante: serem marcas disruptivas, com vontade de integrar a inovação e as novas tendências na estratégia global da organização.
É aqui que surge um novo conceito: as marcas esféricas. Sem lados, vértices ou arestas, traduzem uma nova forma de comunicar e de entender os diferentes públicos, envolvendo-os com mensagens autênticas e personalizadas. As marcas esféricas são aquelas que são capazes de se diferenciar, porque transformam e são apaixonantes e surpreendentes, sempre fiéis à sua natureza.
Qualquer marca que aposte na inovação e queira investir na mudança pode converter-se numa marca esférica. Como? O primeiro passo já está assegurado acima. O segundo passa necessariamente por trabalhar desde o coração da “esfera”, isto é, da essência da marca. A partir daqui, é importante chegar à mensagem que se quer lançar e transformá-la num “rádio”, que emite para o público-alvo, de uma forma original, emocional e única. O paralelismo é evidente, e quer-se a mesma ligação com as “vozes”, ansiosamente esperadas pelos ouvintes, no apogeu das rádios emissoras.
O que se pretende é um equilíbrio entre os valores e as mensagens, acções diferenciadoras e mensagens originais, sem barreiras entre o online e o offline. As marcas esféricas são aquelas que possuem volume, resultados tangíveis, com indicadores de notoriedade e que permitem assegurar o êxito de cada acção de comunicação.
Este é um caminho apenas para quem gosta de desafios. A meta é o êxito. Hoje, mais do que nunca, as marcas líderes devem trabalhar para transformar a linearidade da comunicação em algo diferente e único, capaz de surpreender de uma forma autêntica e integrada.

Artigo de opinião de Filipa Primo, directora da Atrevia Portugal

Deixe aqui o seu comentário