Como é trabalhar em marketing no Dubai

Por a 10 de Agosto de 2016

Sonia Costa - Emirates HQA minha vinda para o Dubai começou de forma inesperada através do LinkedIn. “If this unique opportunity is of interest, and Dubai would be a location you would be interested in being based, I would welcome the opportunity to speak to you about this role in more detail”– podia ler-se na mensagem que a especialista em Recursos Humanos do Grupo Emirates me enviou por InMail e que mudou a minha vida.
Esta foi, na verdade, uma das primeiras coisas que aprendi sobre o mundo das redes sociais do Dubai. Uma grande percentagem dos recrutadores à procura de profissionais para cargos especializados recorre ao LinkedIn para os encontrar, pelo que ter uma presença irrepreensível nesta rede é fundamental.
Várias entrevistas, primeiro por Skype, depois por telefone e finalmente presenciais, garantiram-me um lugar na equipa de Social Media do Grupo Emirates. A meu cargo ficaram a gestão e o crescimento contínuos da presença nas redes sociais de várias marcas do grupo, alinhados com os objectivos de negócio e da marca. Trabalho em colaboração com os outros departamentos de comunicação e marketing – de forma transversal em activações de earned, owned e paid media – para garantir que as redes sociais são potenciadas enquanto componente reconhecida e valorizada do marketing mix.
Um outro aspecto muito importante a saber, sobretudo para quem quiser tentar a sua sorte por aqui, é que um recrutamento fidedigno para trabalhar nos Emirados Árabes Unidos (EAU) não requer o pagamento de qualquer quantia à empresa, seja qual for a justificação que a mesma apresente. Todos os encargos com a expatriação para o Dubai ficam a cargo do empregador, desde os voos aos vistos para cá trabalhar e residir, e incluindo muitas vezes o alojamento e outros benefícios.
No Dubai tudo muda muito depressa. Um dos maiores desafios quando se trabalha aqui, sobretudo em comunicação e marketing, é ter de conseguir que o nosso departamento (e sobretudo a equipa de Social Media) guie toda a empresa na adaptação, que actualmente se requer constante, às suas audiências e aos meios que utilizam para comunicar, interagir e comprar. Quando cá cheguei, em finais de 2014, a rede social de eleição nesta região era o Instagram (24% da população dos EAU era activa nesta rede social). Pouco mais de um ano depois, a maioria dos expatriados, e sobretudo dos locais, já “fugiu” para o Snapchat (que tem tido um crescimento mais acentuado do que qualquer outra rede social), enquanto que as marcas ainda estão apenas agora a começar a dominar os aspectos mais avançados do Facebook como, por exemplo, as Custom Audiences.
É importante salientar o poder que o Facebook tem no Médio Oriente – 94% da população que vive nesta região tem conta activa no Facebook. Os EAU têm a segunda maior percentagem de contas activas em redes sociais do mundo, 68% (ficando apenas atrás da Coreia do Sul), mas bastante acima da média mundial (que se situa nos 31%). Os EAU têm ainda a maior percentagem de utilizadores de Internet que compra online, quando comparados com qualquer outro país do Médio Oriente. O potencial de crescimento é enorme, a procura de profissionais de marketing digital também e (talvez o aspecto mais aliciante), há muito dinheiro para investir.
Em termos de experiência internacional, a equipa à qual pertenço é composta por cinco elementos: uma emirati, um belga, um indiano, um turco e uma portuguesa, eu. A nossa “pequena” equipa faz parte do departamento de Relações Públicas, este já com 25 elementos e com uma mistura ainda maior de nacionalidades. No fundo, é tudo aquilo que eu sempre desejei em termos de experiência profissional fora de Portugal – trabalhar com pessoas tão diferentes e com formas de pensar e trabalhar tão distintas, que todos os dias aprendo algo e mudo a minha perspectiva sobre o mundo. Os EAU são um país onde apenas 11% da população é composta por cidadãos nacionais, os emiratis, e convivemos diariamente (e maioritariamente) com pessoas naturais da Índia, Bangladesh, Paquistão, Filipinas, Egipto, Nepal, Reino Unido, Canadá e África do Sul.
Confesso que não tive muita dificuldade em adaptar-me à vida no Dubai. Para isso contribuiriam os portugueses que já cá viviam e que me apresentaram aos costumes do Dubai. A parte mais difícil foi habituar-me aos horários. O dia começa muito cedo quando se trabalha na sede da Emirates. Tenho de estar no escritório entre as 7h e as 7h30 e como este fica a 24 quilómetros de casa, o que me leva aproximadamente meia hora a fazer, tenho que acordar pelas 5h30… É duro!
A nível pessoal, o maior benefício de viver e trabalhar no Dubai é o ambiente de absoluta segurança em que vivemos, a qualidade de vida que conseguimos ter (os salários são altos e livres de impostos), a eterna “sensação de estar de férias” com calor, sol e praia o ano todo e testemunhar em primeira mão o crescimento de um país que se quer tornar no melhor do mundo.
Sinto-me privilegiada por ter esta oportunidade e poder trabalhar numa empresa em franco crescimento e que, a partir da sua sede no Dubai, cria campanhas de marketing digital que correm o mundo, com feedback maioritariamente positivo. E nem me façam falar da vista para o Terminal 3 do Aeroporto Internacional do Dubai.

Artigo de opinião de Sónia Costa, social media specialist no Grupo Emirates. Natural do Porto, Sónia Costa licenciou-se em Jornalismo e Ciências da Comunicação pela FLUP e fez uma pós-graduação em Marketing Digital no IPAM Porto. Iniciou a sua carreira na Fundação de Serralves como gestora de conteúdos online. Mudou-se para o departamento de e-commerce da Agência Abreu, desempenhando a função de social media strategist. No ano seguinte começou a leccionar a disciplina de e-Content no IPAM Porto, bem como Facebook e YouTube Marketing na FLAG. Mudou-se para o Dubai, onde vive e trabalha desde Novembro de 2014, no Grupo Emirates.

Um comentário

  1. Arminda vieira

    10 de Agosto de 2016 at 13:23

    Excelente artigo, parabéns

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