Ah, Ah, Ah,  ;) ;) ;)

Por a 13 de Maio de 2016

António MelloQuando eu liderava uma agência, costumava dizer, que qualquer agência que se preze, deveria ter na sua lista de Clientes uma Marca de Cerveja e uma de Automóveis.
Uma tarefa complicadíssima, já que a oferta era significativamente inferior à procura, mas nós tivemos essa sorte, durante anos. Um luxo! Ou seja, clientes com produtos e Marcas com os quais dava gozo e pica trabalhar. São produtos que têm, normalmente, grandes Marcas por trás. E são produtos com uma empatia e cumplicidade terrível para quem os usa ou consome. Então com o automóvel a relação chega muitas vezes a ser doentia, no bom sentido, o que se percebe e aceita perfeitamente.
Automóveis e Cervejas eram classes dominantes de anunciantes em Cannes ou qualquer outro festival publicitário. Era assim no século passado! Continua e continuará…  E por tudo isto, as ideias que desfilavam em Cannes tinham que estar à altura.  Ou seja, numa competição feroz e super competitiva, e por vezes política, as ideias tinham que gerar Leões e aumentar o peso da bagagem dos criativos, no regresso a casa.
Um excelente exemplo é a nova campanha de lançamento do Jaguar F-Pace, para promover a entrada da Marca no promissor segmento dos SUVs, com a aposta em Stephen Hawking, o físico britânico com uma mente brilhante, infelizmente portador de esclerose lateral amiotrófica (ELA).
Ir buscar, era assim que dizíamos na agência, Stephen Hawking, ligado à máquina, para nos seduzir a comprar a fera, é brilhante. É completamente inesperado e claro que não será consensual para toda a gente. E se o grande físico aderiu, quem somos nós para ajuizar.

Na publicidade e na discussão de ideias, a palavra consenso é algo que enjoa.  Por trás do consenso há sempre algum medo ou mesmo cobardia.  Aliás, o dito consenso, está omnipresente em tudo nesta vida e quando chega à política, o enjoo é promovido a vómito.
Os ingleses são mestres de Ideias e, para mim, dos melhores publicitários à face da terra. Usar personagens célebres, figuras públicas, actores ou futebolistas é fácil! Basta pagarem um cachet simpático… “Money makes the world go round”.
O difícil é CRIAR e ter a tal IDEIA. Como, por exemplo, a do Ford Puma, uma recriação cinematográfica inspirada no filme “Bullitt” dos anos 60 com imagens do falecido Steve McQueen, a acelerar e aos saltos em S. Francisco. Aqui, há 2 heróis. O Puma e o Steve.

Eu fiz like à campanha do Puma e da Jaguar. A sua assinatura “The Art of Performance” é top. Tal como este filme. “Ah! Ah! Ah!… and we all drive Jaguars”.

 Artigo de opinião de António Mello, publicitário

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