Porquê e para quê comunicar?

Por a 21 de Abril de 2016

Pedro SalazarQuando empreendemos uma estratégia de marketing e comunicação (MKTCOM), para conferir visibilidade e músculo mediático à nossa marca, esta é uma questão premente e para a qual necessitamos de uma resposta inequívoca. Ainda antes definirmos canais, temas, conteúdos, públicos-alvo ou mesmo estratégias, devemos reflectir e identificar claramente os motivos que nos levam a iniciar uma operação de Relações Públicas – e tendo em pano de fundo os objectivos de negócio.
Transformar produtos e serviços em histórias únicas, cativantes e credíveis. É esta a principal função de um marketeer. E porquê? Ou, ainda, para quê? Para garantir que quem conta e/ou reconta as histórias da sua marca (de preferência, em primeira-mão) impacta e comove os seus públicos. Ora, para isso acontecer – da mesma maneira que acontecia com as histórias contadas pelos nossos avós, que ouvíamos embevecidos vezes-sem-conta –, é necessário respondermos, antes de mais, ao(s) porquê(s) das coisas. Eis um conceito que, felizmente, entra nas nossas vidas na primeira infância e nunca mais nos abandona. Aliás, quem conduz e gere a sustentabilidade um negócio, sabe bem do que estamos aqui a falar.
A questão é muito simples. De um lado, temos jornalistas, bloggers, instagramers ou outros gatekeepers de informação interessados em “notícias” e matérias relevantes e actuais para os seus públicos; do outro, temos esses mesmos públicos (os nossos clientes ou consumidores) a serem impactados por uma informação que apenas consideram útil e pertinente (e não mero spam) se a mesma os ajudar a melhorar, simplificar ou, de uma forma mais inspiradora, engrandecer as suas vidas. Caso contrário, estamos a gastar tempo, recursos, e dinheiro… da nossa empresa e dos públicos que queremos seduzir ou não perder.
Visibilidade e escala. É verdade que a maioria dos negócios precisa de apostar na conquista de notoriedade para crescer e atingir novos públicos e mercados. Contudo, a nossa marca – que, por vezes, levou décadas a afirmar-se – deve estar sempre à frente do nosso ego ou dos mais variados interesses e pressões a que estamos sujeitos no ambiente empresarial e/ou mediático em que vivemos. Às vezes, convém perceber se faz sentido ou se estamos a iniciar um percurso de notoriedade e reputação no momento certo.
Um marketeer sabe que há momentos em que a comunicação deve ser massiva e intensa e outros em que a melhor estratégia é não fazer nada. Aqui, confiar simplesmente na qualidade do nosso produto ou serviço ou no efeito do word-of-mouth é a melhor opção. Porém, este passa-palavra também acarreta riscos para a nossa marca e obriga-nos a estar vigilante, na medida em que, por exemplo, a partilha e a disseminação de um comentário/review negativo pode ter um efeito devastador e irreparável em poucos minutos.
Por tudo isto, e porque a reputação é um valor tão difícil de atingir como fácil de destruir, reitero o argumento inicial: é essencial dedicarmos tempo de qualidade a pensar nos porquês e nos para quês, para definirmos a estratégia de MKTCOM certa e não sermos surpreendido pelos acontecimentos.

Artigo de opinião de Pedro Salazar, consultor de comunicação

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