As notícias nas redes sociais são falsas até prova em contrário

Por a 13 de Abril de 2016

Mario BarrosLetizia Ortiz, a Rainha de Espanha, resolveu escrever um SMS ao empresário Javier López Madrid, director do jornal El Mundo, a propósito de uma investigação que está a ser feita sobre o alegado envolvimento no escândalo da fraude com cartões de crédito da Caja Madrid e Bankia. Deixando de lado as questões que só à justiça dizem respeito, foquemo-nos nas implicações de toda a acção descrita na frase anterior.
Ao que rezam as crónicas, a rainha de Espanha fazia ioga com a mulher de Madrid e ficou indignada com uma notícia do jornal, que falava sobre o envolvimento do amigo no caso e decidiu manifestar o seu apoio através da aplicação Whatsapp. Descontando os factos de ser Rainha de Espanha e de todas as cartilhas das práticas dos bons costumes desaconselharem atitudes destas, Letizia Ortiz até que esteve bem – manifestou a sua cólera, por carta, ainda que em moldes desaconselháveis.
A notícia não tem nada de especial, já que diariamente chegam às redacções dezenas, centenas, de cartas de leitores indignados, preocupados, revoltados, magoados, felizes… Os jornalistas estão (ou deviam estar) habituados a estar na primeira linha das críticas dos leitores, ouvintes, telespectadores. Voltamos ao mesmo: Letizia (que até já foi jornalista) esteve bem até ao ponto em que descambou. E é aqui que tudo se transforma, já que, de seguida, houve manifestações várias nas redes sociais, umas de apoio, outras contra a real atitude. Como muitas vezes acontece, quem conta um ponto, acrescenta um ponto…
O alimentador de noticias do Facebook é enganador. Para quem anda distraído, claro. O que de repente parece novidade, não passa de um link requentado sacado de uma notícia com três ou quatro anos. Mais atentos devemos ficar, porque há ainda aquele lembrete do Facebook “hoje tens memórias para recordar”.
Não resisto a contar aqui uma breve história, passada durante a campanha para as recentes eleições presidenciais. De passagem pelo site MSN.com (vale o que vale, eu sei), vi uma notícia que citava o portal www.noticiasaominuto.pt, que por sua vez citava a revista Visão, a qual contava como o ex-ministro Miguel Relvas tinha acabado de se juntar à lista de apoios a Marcelo Rebelo de Sousa. Estranhei e abri o primeiro link e lá estava a novidade do dia, tudo contado tintim por tintim. Como sempre, tive de ir ver a origem da notícia e abri o site da Visão. Nada. Comprei a revista e nada. Minutos depois, os links da notícia nas várias páginas pessoais no Facebook tinham desaparecido, embora sem o mesmo espavento da sua entrada em cena. Muito menos os divulgadores da notícia se retractaram…
Todos os dias há milhares de notícias e de “notícias” um pouco por todo o espectro do Facebook. São falsas, desactualizadas ou colocadas propositadamente ao serviço de uma causa publicitária, entre várias outras. Há também quem olhe para o Facebook como um monte, do topo do qual gritam para quem quiser ouvir… ou não tiver mais nada que fazer.
Nota: refiro aqui o Facebook, pela sua popularidade, mas os argumentos são válidos para as restantes redes sociais.

Artigo de opinião de Mário Barros, assessor de comunicação na CCCP – Companhia de Comunicação e Consultadoria do Porto

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