Seis tendências para o vídeo online

Por a 10 de Março de 2016

Miguel SabinoOlhando para o que foi 2015 em termos de vídeo online, e analisando o que tem vindo a acontecer neste domínio, a Thumb Media identifica algumas tendências que deverão marcar o ritmo de crescimento desta área em Portugal ao longo de 2016.

1. Valorização do Tempo de Visualização – Watch Time
Prevê-se que se continue a acentuar a mudança de foco no mercado do contador de visualizações para o tempo de visualização. Naturalmente, sendo o contador de visualizações o elemento mais visível para o público, é normal que este continue a ser preponderante na apreciação da medida de sucesso de um determinado vídeo. Mas, para quem encara de forma séria, ponderada e analítica o investimento no vídeo online, o tempo de visualização passará a tornar-se muito mais determinante na escolha dos destinatários e definição das estratégias de investimento. Assim, a tendência será que, tanto para as marcas que procuram cada vez mais optimizar os seus investimentos no vídeo online, como para os criadores, o tempo de visualização passe a ser o ponto fulcral na definição de um vídeo com conteúdo que retém a audiência.
O YouTube deu esse mote precisamente no final de 2015, quando alterou a disposição dos gráficos no seu painel principal de Analytics, passando o tempo de visualização para o lugar de destaque. Analisando em detalhe as diferentes métricas dos canais, conseguimos concluir que quanto melhor o tempo de visualização de um vídeo, melhor desempenho tem em termos de posicionamento na plataforma (possibilidade de ser um vídeo sugerido e melhor posicionamento na pesquisa dentro da plataforma), quer em termos de retorno de atenção quer em termos financeiros.

2. Mobile Live Streaming
Outra tendência, que muito provavelmente veremos chegar também ao YouTube durante este ano, é a afirmação deste enquanto plataforma de live streaming de vídeo através das plataformas móveis. Embora o YouTube já esteja em alguns países a disponibilizar live streaming de vídeo – ainda só para jogos e apenas na plataforma Android – esta aposta deve ser alargada ao live streaming completo dentro de pouco tempo. Em 2015 vimos a adopção em massa pelos utilizadores desta funcionalidade em aplicações como o Periscope, o Facebook Mentions ou o Snapchat. O YouTube só tem a ganhar com a integração do live streaming nas plataformas móveis, pois dará mais opções de criação de conteúdo de qualidade aos criadores que escolhem o YouTube como principal forma de expressão e de relacionamento com os seus seguidores e terá mais conteúdo e mais interacção dentro da plataforma, o que vai gerar naturalmente mais interesse para os anunciantes.

3. Afirmação de novas categorias de conteúdos
Em 2015, as principais categorias de vídeos foram a Música, o Gaming e o Entretenimento – com o Humor a ter lugar de destaque. Prevemos que para 2016 a tendência seja manter estas categorias em destaque – mais uma vez à semelhança do que acontece um pouco por todo o mundo. No entanto, pela análise e acompanhamento que fazemos da evolução do vídeo online, em 2016 prevemos o crescimento e consolidação de algumas categorias que, não sendo ainda mobilizadoras de grandes audiências em Portugal no vídeo digital, começam a ser referências e devem consolidar-se em 2016.

• Cozinha
Existem alguns canais que são já uma referência nesta área, como é o caso do Sabor Intenso ou o canal da Luísa Alexandra, e encontramos alguns novos influenciadores como o La Dolce Rita, dedicado essencialmente às sobremesas e às técnicas de doçaria.

• Desporto e Fitness
O canal do Bruno Salgueiro é uma referência significativa em Portugal. O canal conta com mais de 100 mil subscritores e mais de 10 milhões de visualizações nos seus vídeos. Prevemos que outros canais conquistem o seu espaço ao longo de 2016 nesta categoria.

• DIY – Faça você mesmo
Os trabalhos manuais e o “faça você mesmo” são categorias ainda pouco exploradas em Portugal, no que diz respeito ao vídeo. Mas, com o crescimento de conteúdos nesta área que se verificou em 2015, podemos antecipar que em 2016 este crescimento se alargue também à produção de vídeo online.

4. Vídeo 360º
Em 2015 o YouTube deu a conhecer ao mundo os vídeos em 360 graus. Os avanços tecnológicos ,quer ao nível da captação de imagens quer ao nível do processamento de vídeo do lado da plataforma conjugados com a sempre crescente capacidade dos dispositivos móveis (apesar de também ser possível visualizar vídeos de 360º num computador) dão a esta tecnologia uma experiência de visualização muito mais imersiva e interactiva, permitindo ao espectador a capacidade de “entrar” no vídeo e escolher o plano que quer ver, mesmo que veja o vídeo mais do que uma vez. Embora esta tecnologia tenha sido rapidamente adoptada pelas marcas internacionais que têm vindo a marcar presença nos conteúdos de vídeo digital, com a GoPro a tomar uma posição de líder nesta área, o que tornou mais comum a realização de vídeos 360º, em Portugal os exemplos ainda são muito poucos.

5. Branded Content e Sponsored Content
Esta é uma das tendências globais que antecipamos que ganhará relevância em 2016 em Portugal. No vídeo online, a criação de conteúdos patrocinados ou a criação de conteúdos em que as marcas e os produtos estão “entrelaçados” no próprio conteúdo é uma forte tendência internacional que tem levado o seu tempo a ganhar espaço em Portugal. Analisando o mercado, a tendência vai acentuar-se ao longo deste ano e vamos ver cada vez mais as marcas a investirem na criação de conteúdos próprios e, em simultâneo, a apostarem cada vez mais no recurso aos influenciadores digitais para chegarem às suas audiências.

6. Outras Plataformas de Vídeo Digital
Finalmente, e porque o vídeo online, embora seja a referência, não se limita ao YouTube, antecipamos que em 2016 surjam novas plataformas de conteúdos digitais, cada vez mais focados nas plataformas móveis. 2015 viu aquecer a guerra entre o YouTube e o Facebook, com o segundo a procurar ganhar relevância num mercado até então largamente dominado pelo YouTube. Embora o Facebook apresente números de visualizações impressionantes, que à primeira vista parecem ser a primeira ameaça real ao domínio do YouTube, se olharmos de forma mais criteriosa para os números vemos que em termos de tempo de visualização o YouTube é 11 vezes maior do que o Facebook, o que demonstra bem que o Facebook tem ainda muito terreno para recuperar. Essa será uma tendência forte para 2016 que iremos acompanhar com interesse.
Em Portugal e noutras frentes, o final de 2015 viu ser lançado o Netflix. No entanto, este entrou no mercado quando os operadores nacionais, antecipando a entrada no mercado do gigante norte-americano que goza de uma notoriedade elevada, já se tinham começado a posicionar.

Artigo de opinião de Miguel Sabino, CEO da Thumb Media

Um comentário

  1. Luís M. Santod

    11 de Março de 2016 at 22:19

    A opinião é de quem sabe do que fala…

Deixe aqui o seu comentário