LUFS? Uma grande notícia!

Por a 21 de Março de 2016
Manuel Faria, CEO da Indigo

Manuel Faria, CEO da Indigo

Vai conduzir? Então não beba mais de um litro. De quê? De água? Ou de whisky?

Este exemplo mostra que o valor absoluto do volume de uma bebida não tem qualquer relação com o seu efeito. O mesmo se passa com o volume sonoro. Ouvimos muitas frequências, mas algumas incomodam-nos muito mais que outras. O choro de um bebé é muito mais incomodativo que o som de uma harpa ao mesmo volume. As defesas do nosso complexo sistema auditivo influenciam a nossa percepção de volume. Somos muito mais sensíveis a determinados sons e muito menos a outros. Até dia 1 de Junho, quando vemos televisão, temos sempre que mexer no som porque, se os documentários estão num volume que nos agrada, nos intervalos publicitários, o volume sobe em flecha, introduzindo um período de 10 minutos, ou mais, de anúncios aos gritos. Segundo a nossa analogia, estão todos no limite de um litro, só que os documentários são água e os anúncios são aguardente. Ou seja, estes são comprimidos até ao limite de forma a estarem sempre no máximo. As frequências que mais nos afectam são puxadas para terem mais impacto. “Começa no máximo e vai em crescendo!”. Por isso, nós, os profissionais desta actividade, esforçamo-nos todos os dias por transformar aquilo que deveria ser um trabalho cuidado e feito com rigor, numa arma de arremesso. Um audio extremamente comprimido, por estar sempre no máximo, soa mais alto que outro, mais equilibrado e com mais dinâmica. É penalizado o trabalho mais criativo, com mais contrastes em deterimento do primeiro.

E o consumidor? Esse não tem outro remédio do que baixar o som.

Como é que se dá a volta a isto? Criou-se uma grandeza adequada ao nosso comportamento chamada Loudness, ou seja Volume Percepcionado. Esta grandeza tem em conta as frequências que mais nos afectam, a sua duração e é medida através de uma curva de ponderção chamada Curva K.

Nos EUA foi introduzida como LKFS, ou seja, Loudness K-Weighted relative to Full Scale. Foi criada pela ITU, pertencente às Nações Unidas. E gerou uma norma em que todos os programas não poderiam exceder os      -23 LKFS, ou seja, sendo o zero o máximo da escla (Full Scale), teriam de estar 23 dB’s abaixo. Entrou em vigor em 2012.

Na Europa, a EBU criou uma unidade semalhante chamada LUFS (Loudness Units relative to Full Scale) e divulgou uma recomendação em 2014, a EBU 128, que hoje é o standard Europeu. Passa a lei em Portugal a 1 de Junho. A partir desta data, todos os programas, incluindo documentários, filmes e spots publicitários não vão poder exceder os -23 LUFS.

O que é que isto vai mudar? Os spots que tiverem mais contrastes, mais dinâmica, irão soar muito mais alto do que aqueles mais comprimidos com o volume no máximo. Este contraste vai fazer com que tudo tenda a soar mais transparente e melhor. O volume percepcionado dos anúncios será igual ao de outro programa qualquer e será a criatividade a puxar por cada um de forma a que se destaque dos outros. Mas… não é de criatividade que falamos?  Boas notícias!

* Por Manuel Faria, CEO da Indigo

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