Transparência, a grande tendência para 2016 na comunicação em saúde

Por a 5 de Fevereiro de 2016

Jorge AzevedoO novo ano promete ser particularmente estimulante no que toca à comunicação em saúde, e no seio da GLOBALHealthPR, a maior network mundial de agências com forte especialização na comunicação em saúde, já se discutem as principais estratégias para 2016. No evento anual, agendado para 18 e 19 de Fevereiro em Mumbai, Portugal irá não só apresentar os seus case studies, mas também contribuir para aprofundar das principais orientações estratégicas e os novos caminhos a percorrer. Na área da saúde as palavras de ordem serão telehealth, health consumer engagement, digital therapies, personal health tools andt racking, mas o grande focus vai estar no conceito de transparência corporativa.
Chegou a hora de as empresas ligadas à área de saúde potenciarem um relacionamento com os seus stakeholders baseado na responsabilidade em promover melhor saúde, tratar doenças e ajudar na qualidade de vida dos doentes, principalmente aqueles com acesso a recursos escassos. O conceito do doente no centro da investigação deve realmente estar na linha da frente e essa mensagem deverá ser constantemente reforçada.
Neste contexto, os especialistas em comunicação poderão assessorar as companhias e entidades do sector quer através de estratégias de monitorização de audiências, influenciadores e até acérrimos opositores da indústria, ou através da criação de planos a 360º utilizando também os novos canais sociais. Apesar do marketing farmacêutico ser altamente regulamentado em todos os mercados globais, as companhias que forem corajosas o suficiente para assumir riscos calculados nas redes sociais, poderão retirar daí dividendos interessantes, principalmente ao nível da reputação institucional.
Outro dos temas que continuará a ser alvo de forte discussão pública será o acesso a tratamentos inovadores de elevado custo versus as limitações económicas do Serviço Nacional de Saúde.
A indústria farmacêutica deverá ser transparente em relação ao custo de determinado tratamento (não é essa a história que falta sempre contar para reforçar a reputação organizacional?) e caberá aos profissionais de comunicação contribuir para uma análise mais aprofundada e honesta em torno de acessibilidade na saúde.
Hoje em dia, quando as entidades governamentais ouvem a palavra inovação começam logo a fazer contas. Será pois necessário também distanciar esta palavra do conceito de inacessibilidade. Aqueles que conseguirem contextualizar na agenda mediática o custo-benefício associado ao tratamento de determinadas patologias só terão a ganhar.
Outro dos aspectos a considerar é a cada vez maior implantação do mobile em todos os estratos. De acordo com a eMarketer, iremos chegar já em 2016 aos cerca de dois mil milhões de utilizadores de smartphones em todo o mundo. Estamos sempre ligados, sempre online, insaciavelmente à procura de novos conteúdos. Como tal, os consultores de comunicação em saúde terão de integrar os dispositivos móveis nos seus planos de engagement e influência sem esquecer o crescimento das plataformas visuais e vídeo.
Mas, acima de tudo, em 2016 será importante que os líderes das empresas ligadas à saúde comuniquem com transparência sobre quem realmente são e não o que os outros acham que elas devem ser. Os desafios passam pela descodificação do verdadeiro valor da saúde, competindo por atenção mediática e relevância pública e a transformação do processo científico em intervenções mais simples e significativas.

Artigo de opinião Jorge Azevedo, managing partner da Guess What

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