Porque ganhar os Young Lions é importante

Por a 29 de Fevereiro de 2016
Vasco Perestrelo (CEO da MOP)

Vasco Perestrelo (CEO da MOP)

A ideia sempre foi e continuará a ser a mais importante variável da indústria da comunicação.

Desde os primórdios que é a ideia que ajuda a captar a atenção daqueles com quem queremos comunicar. Era assim há 100 anos como é agora. Só que hoje é mais difícil pois a revolução digital tornou os consumidores muito mais proactivos sobre como aproveitam o seu tempo tornando ainda mais difícil a tarefa de conseguir captar a sua atenção. Mas a necessidade de diferenciação, a ideia, continua a ser a variável mais importante desta “cadeia de valor da comunicação “entre 2 partes.

E, hoje mais do que nunca, sabemos que existe uma forte correlação entre ideia e inovação e não é por acaso que os países mais desenvolvidos e/ou aqueles com maior crescimento são simultaneamente países reconhecidos como sendo muito “criativos e inovadores”.

Costumo dizer que o Cannes Lions representa para a indústria da comunicação o mesmo que os Óscares representam para a indústria cinematográfica. São o reconhecimento máximo da excelência dos players nos respetivos sectores à escala mundial. Daí que ganhar um Leão no Cannes Lions seja o maior reconhecimento que um criativo pode ter na arte da comunicação, da captação da atenção do consumidor.

Até há cerca de 6 anos atrás, mais ou menos no início da crise financeira e económica em Portugal, o nosso país estava entre os primeiros lugares dos índices de criatividade mundial do Cannes Lions . E o crescimento do número de Leões que ganhávamos em Cannes bem como a performance dos jovens criativos portugueses nas competições Young Lions, ano após ano, era reflexo disso mesmo.

Nestes anos de crise esta performance baixou significativamente. Quer isto dizer que Portugal deixou de ser criativo? A resposta é… Não…mas…Compete-nos demonstrá-lo reconquistando o estatuto de país criativo.

Costumo dizer que anos de crise pontuais ou de curto prazo muitas vezes têm efeitos pontuais inesperados propiciando grandes ideias e campanhas. Nestas alturas, alguns, os mais ousados, aproveitam a oportunidade para serem mais audazes exactamente quando os outros têm tendência a não o ser devido aos constrangimentos destes períodos. Mas quando a crise é profunda, como foi em Portugal, nem os mais ousados resistem e a necessidade de investir na “ideia” para nos distinguirmos vai-se esbatendo e secundarizando à necessidade de sobrevivência das pessoas e das empresas. Produzir uma “ideia” tem uma forte correlação com autoestima, com a vontade de ganhar, de ser melhor que os outros, melhor que os nossos concorrentes. Ora tudo isto foi profundamente afectado pela crise com especial impacto nas áreas com maior responsabilidade de serem catalisadoras de “ideias” – as empresas e agências criativas – pois trata-se do seu core business.

Temos, por isso, que, como indústria, ter consciência do ponto em que estamos e, em conjunto, fazer um esforço para voltar a criar um contexto que permita reganhar este reconhecimento internacional de Portugal como um país criativo.

E para mim tudo começa nos jovens. Os jovens criativos são quem vai estabelecer o padrão criativo do país nos próximos anos. Mas, também eles se sentiram afectados na sua auto estima e vontade nestes últimos anos de crise. Mais preocupante por serem anos decisivos para a sua formação.

Daí que dar um sinal de aposta nos jovens criativos é o primeiro passo no sentido de recuperarmos a nossa posição como país criativo. Cabe aos lideres e gestores da nossa indústria perceberem que têm de reagir e que isso passa também por (voltar a) valorizar e promover a criatividade e a procura da “ideia” única como algo que os diferencia como pessoas e empresas e consequentemente como indústria e país.

A competição Young Lions, devido à sua visibilidade pela ligação ao Cannes Lions, é a plataforma ideal para o iniciarmos este processo. Ganhar a competição em Portugal e depois em Cannes “contra” o resto do mundo é o caminho para nos voltarmos a reconhecer como pessoas, indústria e país criativo.

É por isso, que, como representantes do festival em Portugal, decidimos este ano reformatar a competição Young Lions tentando torna-la mais profissional, relevante e próxima dos criativos aproximando-a em termos de formato da competição que acontece em Junho em Cannes. A criação do bootcamp numa segunda fase da competição tem esse objetivo: criar um environment especial que reúna e potencie a criatividade nos jovens criativos que concorrerem e simultaneamente preparando os vencedores melhor para a prova de Cannes. É o nosso contributo para esta reconquista do nosso espaço como país criativo no mundo.

Mas para iniciarmos esta caminhada precisamos que todos participem: os jovens e os seus líderes ao incentivarem para que entrem na competição pois… Temos qualidade para Ganhar!

Vamos lá?

Artigo de opinião de Vasco Perestrelo, CEO da MOP, empresa representante do Cannes Lions em Portugal. Para participar nos Young Lions, os candidatos devem até 7 de Março, enviar os seus portfólios e CV através do younglionsportugal.mop.pt

Deixe aqui o seu comentário