O que esteve em destaque no CES 2016

Por a 15 de Fevereiro de 2016

Pedro SousaO evento CES de 2016 em Las Vegas apresentou as mais recentes novidades tecnológicas pelas mãos da indústria de ponta global. Estiveram presentes mais de 3.600 companhias incluindo construtores, produtores e empresas de desenvolvimento de tecnologia de consumo, passando pelas áreas de hardware, software, conteúdos e sistemas de informação. Com mais de 200 conferências e com mais de 150 mil participantes provenientes de cerca de 150 países, o CES marca o passo do mercado, abrindo as portas para novas possibilidades, algumas delas ainda por explorar no contexto da tecnologia de consumo e da forma como ela poderá mudar os nossos hábitos e comportamentos futuros.
Este ano no CES, tal como nos encontros anteriores, pudemos assistir aos desenvolvimentos dos construtores de TV que apresentaram as mais recentes novidades de electrónica de consumo com melhores displays e qualidade superior sobre o que foi apresentado no ano anterior, mas a verdadeira inovação chegou pelo software e distribuição, pela mão do Netflix que apresentou o seu plano de expansão para uma presença em mais 130 países para além dos actuais, mas acima de tudo destacou-se pela revolução em termos da distribuição e acesso a conteúdos.
Outro grande tema tradicionalmente com muita atenção no CES é a indústria automóvel. Este ano, depois de no ano anterior o foco ter sido nos “driverless cars” (carros de condução autónoma), e apesar de este ano muitas novidades terem surgido ainda nesse sentido, os construtores quiseram mostrar os progressos que têm surgido na transformação dos automóveis em equipamentos completamente electrónicos. Claramente o abandono da máquina pela concretização do conceito smartphone com rodas.
Em termos dos equipamentos domésticos, desde a máquina de lavar, frigorífico ao pelo aspirador, o esforço foi mostrar que mais do que conectados cada um destes equipamentos consegue ser efectivamente um smart device com um desempenho de tarefas cada vez mais autónoma e adaptável.
Também a realidade virtual assumiu uma atenção particular, pelos desenvolvimentos feitos neste campo, com os principais fabricantes a mostrar cartas em termos dos mais recentes devices, quer para captura, quer para visualização, permitindo uma melhoria significativa na experiência virtual que consegue deslocar-nos para outros cenários sem sair fisicamente do lugar, abrindo grandes possibilidades imediatas para áreas como investigação e salvamento.
Não sendo uma novidade mas conseguindo ainda gerar impacto, também os drones estiveram presentes depois do debut do ano anterior, desta vez em todo o lado, com drones autopilotados, que seguem uma pessoa definida, mais rápidos, mais responsivos a mostrar que vieram para ficar. Sobre este assunto, e talvez a notícia mais interessante tenha sido a de que o estado do Nevada nos EUA anunciou um projecto para 2018 de construção do primeiro “aeroporto de drones” com o objectivo de treinar e formar para o que será uma realidade de transporte e deslocações num futuro muito próximo.
De forma geral, estes foram os temas que se destacaram na edição deste ano. Agora face a estas tendências, esta realidade tecnológica em movimento, surge a questão de como as aproveitar em termos práticos para criar oportunidades para as marcas comunicarem e darem a conhecer os atributos que as diferenciam.
Em termos da indústria automóvel por exemplo, as marcas podem capitalizar sobre o crescimento cada vez maior da possibilidade de criar vídeos em 360º e que podem agora ser vistos em plataformas como Facebook ou Youtube para melhorar a experiência de visualização de interiores.
Pensando nas impressoras 3D por exemplo, que apesar de já não serem uma novidade no CES 2016 mas ainda longe de aproveitado todo o seu potencial, está ao alcance das marcas a disponibilização de modelos mais populares ou aspiracionais, que permitam aos seus fãs aceder aos mesmos via download e impressão, proporcionando uma interacção, customização e criação de protótipos, com todo o potencial de criação de conteúdos geradores de engagement com o seu target.
Quanto à indústria de entretenimento, criadores, produtores e distribuidores têm à sua disposição soluções cada vez mais poderosas, desde sistemas de clowd vídeo com possibilidades de streaming cada vez mais rápidas e interligação entre várias plataformas como TV, smartphones e tablets permitindo um leque alargado de serviços OTT (over-the-top), assim como o visionamento e consumo de várias soluções de conteúdo em simultâneo.
O CES continua a ter um papel muito importante enquanto estímulo à indústria, partilhando não só tendências como caminhos concretos que já estão a ser trilhados e que são já uma realidade por explorar. Cabe às marcas e aos profissionais de comunicação acompanhar e perceber a melhor forma de tirar partido de uma nova realidade que se constrói diariamente.

Artigo de opinião de Pedro Sousa, head of digital operations do IPG Mediabrands Portugal

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