O futebol tem cada vez mais encanto no conforto do sofá

Por a 10 de Dezembro de 2015

Daniel SáOs recentes números divulgados sobre o contrato que passa a ligar o SL Benfica à NOS são apenas o primeiro indicador da revolução que vamos assistir nos próximos anos. Muita coisa vai mudar com a certeza que as receitas dos direitos de transmissão vão continuar a crescer para números que até há bem pouco tempo pensávamos ser impossível atingir…
Costumamos referir-nos à televisão como a caixa que mudou o mundo. De facto, desde que a televisão entrou pelas nossas casas que se tem transformado numa ferramenta poderosa que influencia todas as dimensões da nossa vida. Já vimos guerras em directo, eleições a serem ganhas e perdidas, a conquista da lua e todas as tragédias e vitórias do nosso dia-a-dia. Um pouco por todo o mundo, as gigantes audiências televisivas tem possibilitado aos canais receitas publicitárias fabulosas.
Independentemente dos momentos nacionais ou locais que garantem elevadas audiências, poucos são os momentos televisivos de impacto verdadeiramente global. As cerimónias de entrega dos Óscares ou MTV Awards, festivais ou algumas actividades políticas e religiosas, são além de eventos inesperados (mortes, tragédias, guerras), momentos de elevadas audiências televisivas. No entanto, o desporto garante com uma enorme regularidade os melhores lugares das audiências televisivas seja com eventos mundiais, continentais, regionais, nacionais ou mesmo de cariz local.
As finais da SuperBowl e NBA, a Fórmula 1, os Grandes Slam de Ténis, Europeus e Mundiais de Futebol, Liga dos Campeões e Jogos Olímpicos são alguns dos produtos televisivos estrela. No caso português facilmente se constata que o futebol lidera as audiências televisivas. Se efectuarmos uma análise diária, semanal, mensal ou anual iremos comprovar em definitivo a supremacia do futebol como o produto televisivo de maior sucesso no nosso país. Se estudarmos com detalhe as audiências televisivas ao longo do ano podemos encontrar jogos de futebol (principalmente da selecção nacional ou dos três grandes) no topo dos programas mais vistos. Normalmente na lista dos 15 programas mais vistos encontramos sempre uma percentagem de 30 a 75% de jogos de futebol, sendo este domínio apenas interrompido por algumas telenovelas, programas de informação ou eventos especiais como galas ou aniversários.
Há quem se refira a esta realidade como a ditadura das televisões que passam a determinar os momentos, as horas e os dias em que se realizam determinados eventos desportivos. Os canais generalistas têm vindo a dedicar maior tempo de antena ao desporto. Se por um lado, o desporto permite obter receitas publicitárias consideráveis, por outro serve como forma de entretenimento, contribui para a formação e educação dos seus públicos, suscita múltiplos debates e acompanha a discussão pública relacionada com os problemas da saúde, bem-estar ou obesidade. No caso português, cada jornada da liga portuguesa de futebol é comentada nos dias seguintes em vários canais, fazendo-nos, por vezes, sentir que as jornadas nunca acabam, mas que estão sim sempre ligadas.
Se pensarmos no que são hoje os telemóveis de última geração podemos perspetivar mais uma revolução na forma de distribuir conteúdos desportivos. Hoje é possível, em plena sala de cinema a meio de uma projecção de um filme, acompanhar através do telemóvel, o jogo da equipa preferida, ver os golos em directo, escolher os ângulos das repetições e consultar em detalhe no final todas as estatísticas do jogo. Pensemos que, a partir de agora, a “televisão” pode-nos acompanhar por todo o lado.
Os recentes números divulgados sobre o contrato que passa a ligar o SL Benfica à NOS são apenas o primeiro indicador da revolução que vamos assistir nos próximos anos. Muita coisa vai mudar com a certeza que as receitas dos direitos de transmissão vão continuar a crescer para números que pensávamos ser impossível atingir.

Artigo de opinião de Daniel Sá, director executivo do IPAM – The Marketing School

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