Chief Data Officer precisa-se, pela reputação da sua marca

Por a 22 de Dezembro de 2015
João de Castro Guimarães, director-executivo da GS1 Portugal

João de Castro Guimarães, director-executivo da GS1 Portugal

Os consumidores têm hoje ao seu dispor um volume massivo de dados sobre os diversos bens e serviços que consomem – quer no linear de um hipermercado, quer em catálogos eletrónicos. Esta informação, o chamado Big Data, tem múltiplas e difusas proveniências – algumas controláveis e seguras, outras nem por isso. E, embora haja ainda um longo caminho a percorrer (72 por cento dos consumidores afirma não se sentir satisfeito com a experiência online proporcionada pelas marcas, concluia a BrandShop em estudo recente), as marcas e os seus marketeers estão cada vez mais empenhados em serem a montante os únicos fornecedoresde toda essa informação… pela confiança dos consumidores e pela sua própria reputação.
Para garantir e replicar online e mobile, a segurança de sempre no ponto de venda – evitando, dessa forma, a oferta em seu nome de produtos e serviços adulterados ou contrafeitos –, as marcas estão cada vez mais empenhadas em assegurar a transparência, a robustez e a integridade dos dados de produto em todos os canais de interacção com o consumidor. E, além da aposta numa série de medidas capitais como a sincronização de dados normalizados e globais (comerciais, logísticos ede marketing, entre outros) na cadeia de abastecimento, essenciais à adopção eficiente e segura de estratégias omni-channel, uma das medidas mais prementes inclui a criação do posto de Chief Data Officer (CDO).
Cerca de 90 por cento da informação que circula a nível mundial no online foi produzida nos últimos dois anos. Este fenómeno faz com que, a muito curto-prazo, perto de 25 por cento das grandes multinacionais já não consiga passar sem um CDO. E se, em 2014, assegura a Gartner Research, eram já 150 as organizações globaiscom um CDO, este ano registou-se uma subida muito significativa para os 250 CDO. Esta tendência explica-se igualmente pelo facto de existirem, hoje, soluções e aplicações customizadas Business-to-Business-to- Consumer que permitem obter perfis concretos de consumo (com insights como localização, perfil socio-demográfico ou reacção a campanhas) e interações personalizadas, automáticas e em tempo real, das marcas com o consumidor.

Marketing 3.0: vários dispositivos, uma única fonte de dados
Hoje em dia, a experiência de compra deixou de ser linear. Já não existe apenas um indivíduo A, uma marca B e o canal C, mas antes um consumidor exigente e informado que pode chegar à marca e a um produto ou serviço através de um canal, mas concluir a compra num outro totalmente diferente. Vivemos os tempos das estratégias omni-channel(para as marcas, do marketing 3.0), SOLOMO (Social, Local, Mobile) e content marketing (conhecer o consumidor, para fornecer conteúdos que respondem aos seus interesses e necessidades); actualmente, já não falamos apenas em vender produtos ou em satisfazer e fidelizar clientes, mas antes em criar relações emocionais e duradouras com os consumidores, que assentam numa proposta de valor clara e em valores com os quais o consumidor se identifica e partilha.
Dito isto, do que é que está à espera para contratar o seu primeiro Chief Data Officer e pô-lo o quanto antes a colaborar com a sua equipa de marketeers? Amanhã pode ser tarde de mais.

Artigo de opinião João de Castro Guimarães, director-executivo da GS1 Portugal

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