Partidos políticos ainda não “pescam” com redes sociais

Por a 13 de Outubro de 2015
Joana Carravilla

Joana Carravilla

Quando os números nos mostram que, em média, já são mais de cinco milhões os portugueses que acedem mensalmente à internet, é hora de as forças políticas perceberem que as redes sociais têm obrigatoriamente de constar da agenda política e têm que ser, cada vez mais, o local onde os partidos devem marcar encontro com o eleitorado português. O peixe graúdo já não se pesca à linha, mas com “redes”… Apesar de vivermos em plena era digital e de o número de portugueses na Internet crescer dia após dia, será que as redes sociais foram um verdadeiro veículo de comunicação para os partidos políticos nestas Legislativas? Os números mostram que não. Mostram que os partidos políticos não usaram, ainda, as redes sociais para “pescar” votos e que não conseguiram capitalizar essa presença. A provar isso mesmo está a performance dos vários partidos no Facebook durante a campanha eleitoral, que mostra que a Coligação Portugal à Frente – a mais bem sucedida – se ficou pela conquista de apenas 1.700 novos seguidores.
No entanto, e mais alarmante do que este número, importa reflectir sobre o facto de mais de metade dos partidos não permitir que os internautas façam posts nas suas páginas. Possivelmente, esta é uma das formas mais imediatas de auscultar a opinião, dúvidas, críticas ou mesmo o apoio do eleitorado. Sabendo que os eleitores estão hoje mais abertos a discutir política nas redes sociais do que a sair de casa e ir a um comício, como é possível que os partidos vetem a livre publicação? Para quê ser fã se não há diálogo? Os partidos tratam as redes sociais como mais um meio de comunicação de massas, sem qualquer estratégia ajustada para as características que estes espaços de relacionamento têm. Criam um espaço numa rede social, mas não são nada sociais. Além de aplicarem uma série de restrições, não promovem a interacção e não respondem aos comentários nos seus posts.
Apesar da posição seguida nas Legislativas demonstrar que as redes parecem ocupar, ainda, um papel secundário, há que destacar a estratégia das últimas Autárquicas, em que os candidatos, conscientes da necessidade de contornar a falta de cobertura televisiva, se viram obrigados a apostar no uso das redes sociais, considerado um canal crucial para comunicar com o potencial eleitorado. A este nível, saliente-se, por exemplo, a boa actuação de Rui Moreira – independente e sem uma máquina partidária que suportasse a sua candidatura – que produziu, para os novos média, cerca de 335 vídeos, que foram vistos quase 70 mil vezes, num total de 170 mil minutos. A contrastar com a realidade nacional, temos o exemplo americano, concretamente a campanha lançada, em 2008, por Barack Obama, o mais improvável vencedor das presidenciais americanas e o primeiro político em todo o mundo a lançar a maior iniciativa digital vista até hoje e o primeiro a arriscar colocar a Internet no seio da sua campanha para a Casa Branca. Um dos factores de sucesso determinantes para a vitória de Obama foi a forma como soube usar a social media e a tecnologia como parte primordial da estratégia, para conseguir financiamento e, mais importante, para desenvolver uma onda de voluntários que sentiram que poderiam fazer a diferença.
A lição é clara: não basta seguir uma campanha tradicional. É preciso ir mais além. Encarar o eleitor como um consumidor: conhecê-lo, saber onde se move, o que procura e deseja. As redes sociais são o espaço por excelência em que as maiorias se encontram e, por essa razão, impõe-se uma atividade política enérgica no panorama digital. Quando os números nos mostram que, em média, já são mais de cinco milhões os portugueses que acedem mensalmente à internet, é hora de as forças políticas perceberem que as redes sociais têm obrigatoriamente de constar da agenda política e têm que ser, cada vez mais, o local onde os partidos devem marcar encontro com o eleitorado português. O peixe graúdo não se pesca à linha, mas com “redes”…

Artigo de opinião de Joana Carravilla, country manager da E.Life Portugal

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