Comunicação em saúde em Portugal e nos EUA: descubra as diferenças

Por a 7 de Setembro de 2015

Susana VianaTrabalhar na única agência de comunicação portuguesa que faz parte da Global Health PR (GHPR), rede internacional de agências especializadas em saúde e ciência, traz-nos este tipo de privilégios: 15 dias a aprender no terreno como se trabalha a comunicação em saúde nos Estados Unidos, no âmbito de um programa de intercâmbio promovido pela própria rede. A nossa parceira americana, SpectrumScience, sedeada em Washington DC, disponibilizou-se a receber uma colega portuguesa e a Guess What acolheu também durante 15 dias uma colega americana.
E depois de concluída a experiência, podemos afirmar que, usando palavras de uma canção de Rui Veloso, “muito mais é o que nos une, que aquilo que nos separa”.

Aquilo que nos une
Muitos são os aspectos que nos unem, não fizéssemos nós parte de um grupo de agências que têm como core business a comunicação em saúde. Os problemas são os mesmos, os desafios são os mesmos: o ritmo é sempre acelerado, os pedidos são “para ontem”, a exigência é constante. Até os clientes, na sua grande parte grandes multinacionais farmacêuticas, são os mesmos. Num mundo cada vez mais globalizado, com o ritmo frenético das redes sociais a impor o seu passo, com uma partilha de informação que é cada vez mais instantânea, é natural que isto aconteça, mesmo quando estamos em geografias diferentes temos contextos culturais diferentes.

E aquilo que nos separa
Aquilo que nos separa são, obviamente, as questões culturais, sociais e a dimensão do mercado. O mercado norte-americano é mais agressivo, o trabalho tem que ser realizado com um grau de pormenor que não faz sentido no mercado português, os dias de trabalho têm muito poucas pausas e se aqui o Facebook é rei das redes sociais, nos EUA é o Twitter que domina. As relações entre profissionais de RP e jornalistas são geralmente distantes e pautadas por questões éticas. A prática do lobbying assim o exige.
Foi com surpresa que os colegas americanos ficaram a saber que em Portugal é relativamente normal que jornalistas e RP se abordem mutuamente através das respectivas páginas de Facebook, rede social que os americanos guardam para utilização quase exclusivamente pessoal. Mas foi também com surpresa que assistimos à interacção e monitorização de blogues de doentes que escrevem sobre as suas doenças e os seus tratamentos, realidade ainda rara no mercado português.
Por outro lado, as características do mercado português permitem-nos trabalhar de forma bastante mais original e “out of the box”. Aliás, a crise económica obrigou-nos a ser mais originais e eficazes mesmo com orçamentos mais reduzidos. Como diz o ditado, “a necessidade aguça o engenho”.
Perante estas diferenças e estas semelhanças, podemos afirmar que trabalhar em rede não só faz todo o sentido, como é o modelo de futuro para as relações públicas e comunicação. Cada vez mais teremos que trabalhar com e para outros mercados e precisaremos sempre da experiência de quem trabalha e vive nesses mercados. Porque a comunicação vive de contextos sociais e culturais que só se conhecem bem quando se vive dentro deles.

Artigo de opinião de Susana Viana, senior communication consultant da Guess What

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