As regalias de quem trabalha em comunicação

Por a 3 de Setembro de 2015

Diogo madeira silvaQuando olhamos para as empresas vemos que os departamentos de comunicação estão frequentemente enquadrados nas chamadas áreas de suporte ou infra-estrutura. À semelhança dos recursos humanos, contabilidade ou manutenção, todas elas aliás, áreas decisivas para o comportamento de qualquer organização.
Independentemente de esta abordagem poder fazer ou não sentido (sobre isso escreverei em breve), creio que este enquadramento potencia interpretações erradas e falaciosas sobre o papel destas estruturas e das pessoas que nelas trabalham. Tal como a percepção criada em torno de um produto é afectada pela prateleira em que está colocado no supermercado, pelos produtos à sua volta e claro, pela sua própria embalagem.
Muitas empresas fazem uma divisão, mais ou menos assumida, entre o lado do negócio e o lado da estrutura, com uma visão redutora que coloca de um lado “quem gera dinheiro” e do outro “quem gasta dinheiro”.
Esta abordagem tem consequências perniciosas para os responsáveis das área de comunicação, que acabam por não ter condições para extrair todo o potencial dos seus recursos ou até mesmo ser objecto de situações injustas. Um exemplo está na confusão por vezes gerada entre benefícios e ferramentas de trabalho.
Vamos ao detalhe para ilustrar exemplos concretos. Ter um plafond de telemóvel (com plano de dados incluído) não é um benefício para um profissional de comunicação. Tal como não o são todas as ferramentas que o permitam estar contactável e ligado, independentemente do sítio onde esteja. Porque ao contrário de outras áreas, o trabalho dos profissionais de comunicação não acaba quando deixam o escritório. Isto porque o mundo não pára de girar e a actualidade não é um conceito estático que possamos deixar em stand-by até segunda-feira às 9h da manhã.
Nunca nos podemos esquecer que para fazer um bom trabalho de comunicação é importante dominar e acompanhar o contexto e a actualidade onde nos inserimos. É por isso que um profissional de comunicação está a trabalhar quando os outros o vêem a ler jornais ou revistas (e por falar nisso, desconfiem sempre de um profissional de comunicação que não o faz).
Da mesma forma que ter acesso à internet, em empresas onde tal não acontece por motivos de segurança, não é uma excepção de privilegiados que querem navegar no horário de trabalho. E até o acesso a redes sociais como o Twitter ou o Facebook pode fazer sentido.
Se o departamento de comunicação pede uma televisão para a sala, não o faz por desejo de ver o Preço Certo ou a telenovela das 21h. Quem não consegue, ou não quer, compreender isto, talvez pense que numa equipa de futebol ou de hóquei os guarda-redes calçam luvas só porque dá jeito para o frio ou usam um equipamento diferente só porque têm a mania que são especiais.
Não querendo desconsiderar nenhuma das outras funções, não é possível olhar para a área da comunicação como olhamos para outra área qualquer, até porque neste campo não se definem KPIs com a facilidade com que se faz esse exercício por exemplo para a área comercial (o que não quer dizer que não existam métricas).
Empresas e gestores que não percebam estas diferenças nunca conseguirão extrair das suas áreas de comunicação o valor que podem e devem, limitando-se a ter um departamento que “faz umas coisas” e cristaliza as carreiras daqueles que por lá passam.
Não vamos tratar de forma igual aquilo que é diferente.

Artigo de opinião de Diogo Madeira da Silva, consultor

Um comentário

  1. Aryan

    4 de Setembro de 2015 at 19:33

    É um artigo de opinião. Tudo bem.
    Mas um gajo hoje em dia lê cada uma!

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