A histeria em torno da VW: ainda tem alguma coisa contra a Pepsi?

Por a 30 de Setembro de 2015
João Gomes de Almeida, director criativo da Nylon

João Gomes de Almeida, director criativo da Nylon

A atitude de quem dentro do grupo Volkswagen cometeu esta aldrabice é obviamente de lamentar.  Os problemas ambientais que o nosso mundo enfrenta deveriam merecer uma maior atenção por parte das construtoras de automóveis, principalmente quando elas direta e indiretamente são responsáveis por grande parte deste problema. Até aqui todos de acordo.

Vamos agora falar de consequências. As marcas do grupo Volkswagen vão ter que pagar avultadas multas, vão ter que recolher carros, vão ter que devolver dinheiro a quem reclamar por ter comprado esses carros e segundo algumas notícias podem até ter que vender uma das marcas do grupo para saldar o prejuízo.

Isto é tudo o que de pior pode acontecer à Volkswagen. Mas então e o valor da marca? E a percepção perante os consumidores? Sim ambas vão ser afectadas, mas rapidamente ambas serão recuperadas. Não nos esqueçamos que a marca nasceu em 1937 na Alemanha, sobre a égide do regime nazi e que foi esse próprio regime que a foi promovendo como o “carro do povo”. Uma marca que sobreviveu à conotação nazi, sobrevive a tudo.

Mas há mais do que esta curiosidade histórica que nada tem de cientifica. Lembram-se de quando há uns longínquos pouco mais de ano e meio Portugal inteiro se revoltou contra a Pepsi por causa de uma brincadeira feita na página de facebook da marca na Suécia? Lembram-se do sucesso que a página de facebook “Nunca mais vou beber Pepsi” teve na época? Lembram-se do empresário de restauração que conseguiu um viral a destruir à mocada uma máquina da marca? É verdade, só se lembra porque eu o lembrei.

Pode sempre dizer-me: “mas ó João, não compare as duas coisas”. É verdade, não são comparáveis. Até porque infelizmente as pessoas ligam muito mais e revoltam-se muito mais com questões futebolísticas do que com escândalos ambientais.

O ritmo alucinante com que as pessoas se revoltam hoje em dia, a mudança alucinante dos trending topics nas redes sociais e a pouca importância que os consumidores dão às questões ambientais vão fazer com que daqui a precisamente uns longínquos pouco mais de ano e meio ninguém se lembre deste tema.

*João Gomes de Almeida, director criativo da Nylon

3 comentários

  1. Grammar Nazi

    1 de Outubro de 2015 at 11:57

    Só um pequeno alerta para o erro ortográfico, especialmente sendo o João um copywriter/redactor/director criativo.

    “… uns longínquos pouco mais de ano e meio…”?

    Ai “esses” português…

  2. Adriana Macedo

    1 de Outubro de 2015 at 11:41

    Curioso. Ainda há umas duas semanas comentava o incidente Pepsi Suécia CR com os meus colegas de trabalho, com a convicção de que ninguem se lembrava. Pelos vistos eu e o Joao Gomes de Almeida lembramo-nos.

  3. Diogo Pinheiro

    1 de Outubro de 2015 at 9:17

    “É verdade, não são comparáveis”. E não são mesmo. Cometer um erro num post de Facebook numa conta sueca que depois chega a Portugal é uma coisa; deliberadamente enganar governos e consumidores em proveito próprio é outra bem diferente.

    É certo que a marca sobreviveu à conotação nazi, mas isso foi num tempo que em o contexto competitivo, a consciência social e os meios de comunicação disponíveis eram completamente diferentes.

    Não sendo futurologista, não auguro um bom futuro para o Grupo VW. Não só no curto prazo com as vendas a tender para zero até ao final do ano mas a médio/longo prazo com o impacto financeiro das multas, dos processos civis e criminais que vai enfrentar nos tribunais e claro da desvalorização da marca.

    Aconteça o que acontecer este será certamente um case study dentro de alguns anos. Resta saber se será um caso de sucesso ou de insucesso.

Deixe aqui o seu comentário