Competitive Intelligence: A máquina do tempo

Por a 25 de Abril de 2014

José Manuel Diogo

A semana passada no congresso do Institute for Competitive Inteligence em BadNeuheim, na Alemanha, demonstraram-me, ao vivo e a cores, como é possível percepcionar o futuro antes dos outros. Uma extraordinária ferramenta de gestão de que um dos maiores especialistas mundiais é português.

Já imaginou como seria se pudesse ver o futuro antes de tomar as decisões mais críticas na sua empresa, no seu partido, na sua vida pessoal? Aquele erro de produto, aquele discurso errado, aquele e-mail contraproducente… o que lhe poderiam ter poupado? E se fossem correctos quantas vantagens teria?

Não estamos ainda a falar do automóvel Delaurean “kitado” qual Robert Zemekis no filme “Regresso ao Futuro” mas, na verdade, estamos muito perto. A conectividade global, onde agora todos trabalhamos e vivemos, permite com ferramentas adequadas, obter “insights” sobre o futuro.

Chama-se Competitive Intelligence e significa conhecer em profundidade os stakeholders e com essa informação melhorar o desempenho das empresas e organizações praticando uma gestão ética baseada em conhecimento sistemático. Para tal é preciso tratar com o mesmo profissionalismo que se aplica às operações, ao marketing e às finanças aquele que é o principal activo de uma empresa: as suas informações.

Mas há ainda poucos a fazer isto. Um deles, e contra todo o prognóstico é o português Luís Madureira que em, empresas multinacionais como Ogilvy, Heineken, United Coffee, RedBull, PepsiCo, Coca-Cola e Diageo, pensou e implementou verdadeiros centros de conhecimento destinados a prever o futuro. Uma verdadeira epifania.

“Ouvindo” o que universo está a dizer, varrendo verdadeiramente a internet e combinando essa informação com os modelos empíricos de Porter, pode prever-se a evolução das tendências e aplicá-las com sucesso ao desenvolvimento de novos mercados marcas e produtos.

Mas o CI ainda dá os seus primeiros passos e raramente encontra o lugar certo na hierarquia das empresas. Se o departamento de “inteligência” da Nokia não tivesse instalado como um sub departamento do marketing o seu CEO teria agido no tempo certo quando mais de três anos antes foi “avisado” que a Apple iria lançar o iPhone. Essa desatenção foi fatal.

A conetividade global permite agrupar com um único objectivo coerente ferramentas de gestão, estatística, informática, marketing, RP, intuição e até arte até agora quase sempre usadas isoladamente e sem relação.

CI consiste em implementar na gestão de topo das empresas métodos de análise e integração das informações que sejam relevantes para empresa. Não apenas da concorrência, dos fornecedores ou colaboradores, mas de todos aqueles envolvidos com a actividade, legisladores, reguladores e clientes.

Assim na História como nos negócios o futuro sempre se demonstrou uma consequência do passado e das acções do tempo presente. Nos dias de hoje tudo converge para um mesmo ponto. Esse mesmo: agora!

Artigo de opinião de José Manuel Diogo, managing partner da Agenda Setting

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