Jornalismo deve avançar para modelo apoiado pela sociedade civil

Por a 6 de Dezembro de 2013

O professor da Universidade do Porto Fernando Zamith afirmou hoje que o jornalismo deverá ter de avançar para um modelo em que seja apoiado pela própria sociedade civil através de mecanismos como o mecenato ou o financiamento coletivo.

À margem das segundas jornadas ObCiber, que decorreram hoje no Porto, Fernando Zamith, antigo jornalista da agência Lusa, afirmou que o cenário do jornais, em particular os locais, em Portugal é “muito mau”, algo que atribui a um “problema de base” em termos nacionais que se relaciona com “uma muito baixa literacia mediática e muito baixa literacia”.

“Se calhar a única solução serão modelos em que a sociedade acorde e diga ‘nós queremos mesmo isto’”, afirmou o académico que lançou hoje o livro “A contextualização no ciberjornalismo”, sublinhando a “absoluta necessidade” para a democracia de um “jornalismo com J grande”

O investigador Pedro Jerónimo, que concluiu recentemente o doutoramento sobre imprensa local, constatou que o jornalismo que mais “reclama para si a proximidade” tem jornalistas com uma crescente dependência da Internet, uma ferramenta cada vez mais presente nas redações.

Fernando Zamith realçou também que as novas gerações não foram conquistadas enquanto audiência pelos jornais.

Por seu lado, o diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas da Universidade do Texas, em Austin, Rosental Alves, numa declaração gravada antecipadamente, disse ser preciso “descobrir novas formas de financiar o jornalismo que não sejam as tradicionais”, referindo-se às comerciais ou estatais, e dando como exemplo o “jornalismo sem fins lucrativos”.

Rosental Alves recordou que o “hiperlocal” foi, em tempos, encarado com uma possível salvação do meio, mas exemplos dos últimos anos têm mostrado que, apesar do prestígio, “não chegaram a lado nenhum em termos de viabilidade”. (Lusa)

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