Presidente da Media Capital responsabiliza CAEM por prejuízos de 5 a 10 milhões de euros

Por a 1 de Abril de 2013

Miguel Pais do Amaral responsabilizou a CAEM por prejuízos na TVI entre 5 e 10 milhões de euros, afirmando que o grupo vai impugnar a decisão do regulador de recusar uma auditoria externa à medição de audiências televisivas. O presidente do Conselho de Administração da Media Capital afirmou em declarações à Lusa que o actual painel constituído pela empresa responsável pela medição de audiências, a GfK, “não é o painel adequado”.

“Estamos neste negócio há 20 anos, sabemos que este painel está a ser imposto por diversas entidades dentro da Comissão de Análise de Estudos e Meios (CAEM), e por isso queremos que uma entidade externa, como a PricewaterhouseandCoopers [a empresa que fez uma primeira auditoria e que sugeriu uma alteração ao painel incorporando os dados dos Censos de 2011] ou outra com a mesma credibilidade, faça uma auditoria externa ao funcionamento do painel”, acrescentou. No mesmo sentido, também a administração da RTP divulgou hoje um comunicado em que reafirma que “é fundamental a realização de uma auditoria independente, pedida pela TVI e RTP”.

“Tal auditoria será a forma mais correta de validação e verificação das correcções do Plano de Acção e Correcção (PAC) e consequente credibilização do processo”, afirma o comunicado assinado pela equipa de Alberto da Ponte.

A RTP indica ainda que “não compreende a decisão tomada pela direcção da CAEM e, em sede própria, irá opor-se a essa decisão”, tomada na passada terça-feira, dia 26, de rejeitar a verificação do PAC por uma entidade independente, “bem como a de considerar cumprido, na generalidade, o PAC validando o painel e aceitando, assim, sem mais, o serviço de medição de audiências de televisão da GfK”, ainda segundo o comunicado da RTP. A CAEM, que reúne televisões, anunciantes e agências de meios, anunciou no passado dia 26 que a proposta da TVI e da RTP de intervenção da PwC no processo de avaliação das audiências “foi rejeitada por unanimidade”.

Miguel Pais do Amaral deixa também claro que o processo de contestação à decisão será feito dentro da CAEM. “Penso que sair da CAEM não é solução e não vai resolver a situação criada”, afirmou à Lusa. “Este é um processo que devia ter sido resolvido com consenso e bom senso por parte dos responsáveis que gerem a estrutura que regula o sector. Não houve consenso porque não houve bom senso”, afirmou. O gestor considera que a recusa de uma auditoria externa pela direcção da CAEM “não faz sentido”. “A TVI irá impugnar esta decisão e usar todos os meios ao seu dispor, nem que tenha que esperar pela nova liderança da CAEM, que é mais do que provável irá aceitar – ou melhor –, irá promover uma auditoria ao novo painel”, acrescentou Pais do Amaral.

“Mas o painel não pode andar a dançar ao ritmo das direcções da CAEM. Passaria a ser anedótico. Daí se falar de auto-regulação e isso assenta no consenso”, rematou o presidente do Conselho de Administração da Media Capital. A actual direcção da CAEM, presidida por Luís Marques, administrador do grupo Impresa com pelouro operacional, será substituída na próxima assembleia geral do regulador, que ainda não se encontra marcada. (Lusa)

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