Diário de Notícias da Madeira abre programa de rescisões amigáveis

Por a 5 de Abril de 2013

A gerência da Empresa do Diário de Notícias (EDN), proprietária do Diário de Notícias da Madeira, informou os funcionários estar disponível para rescindir por mútuo acordo os respectivos contratos de trabalho.

O Sindicato dos Jornalistas já manifestou preocupação por esta situação, temendo que possa originar um despedimento colectivo.

Na mensagem de correio electrónico enviado aos trabalhadores e à qual a agência Lusa teve acesso, a empresa explica que tem vindo a atravessar, “desde há alguns anos, uma grave crise económico-financeira, que piorou substancialmente no decurso do ano 2012”.

“No sentido de superar, ou, ao menos, minimizar, tal situação crítica, a EDN vem tomando diversas medidas tendentes ao aumento de receitas e à redução de custos, salientando-se, quanto às medidas de redução de custos, o acordo concluído no ano de 2012 com os seus trabalhadores para redução de horários de trabalho e salários (sendo de registar a adesão dos trabalhadores a esta medida), assim se evitando o recurso ao despedimento colectivo durante a sua vigência”, adianta a EDN.

Garantindo que, apesar de respeitar esse acordo, a EDN “não pode deixar, desde já, face ao referido agravamento da sua situação económico-financeira, e para garantir a sua subsistência e continuidade, de tomar medidas de redução de custos com o pessoal”.

A missiva esclarece que, para ser alcançado este objectivo, a empresa está “disponível para negociar com os trabalhadores eventualmente interessados a rescisão por mútuo acordo dos respectivos contratos de trabalho, sendo certo que as condições desta rescisão amigável serão superiores às de um despedimento colectivo”.

A EDN acrescenta que “esta medida de redução de pessoal terá de ser negociada e/ou efectivada em curto espaço de tempo”, estimando concluir o processo de negociação e assinatura dos eventuais acordos até ao próximo dia 26.

À agência Lusa, fonte do Sindicato dos Jornalistas alertou que “a saída de jornalistas enfraquece a redacção e, consequentemente, a viabilidade da própria empresa”.

“Enfraquecendo a redacção, a qualidade do produto piora e põe em causa a viabilidade da empresa”, insistiu o mesmo dirigente sindical, temendo que, se este processo não tiver o sucesso que o conselho de gerência pretende, venha a desembocar num despedimento colectivo.

Em maio do ano passado, a empresa propôs a todos os trabalhadores uma redução de 10% do tempo de trabalho e a correspondente redução salarial.

De acordo com informação da EDN, empresa que integra o grupo Controlinveste, neste momento trabalham no jornal, fundado em 1876, cerca de 80 trabalhadores.

Em Fevereiro, este matutino, um dos mais antigos do país, teve uma tiragem média diária na ordem dos 12 mil exemplares, controlada pela Associação Portuguesa de Controlo de Tiragem.

A Lusa tentou ouvir a gerência da EDN, mas sem sucesso. (Lusa)

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