As contas da Lusa

Por a 1 de Abril de 2013

O presidente da Lusa sublinhou aos acionistas da empresa que a agência “custa um euro por ano a cada português”, pedindo-lhes “não mais dinheiro”, mas o “direito à estabilidade” e “o direito à ambição”.

“Num tempo que é de todas as incertezas, dificuldades e muitas desconfianças, queremos que se saiba que a Lusa custa um euro por ano a cada português”, disse Afonso Camões aos acionistas da agência, onde o Estado, com 50,14% do capital, Controlinveste (23,36%) e Impresa (22,35%) detêm as principais participações.

Na assembleia geral de hoje, a agência aprovou as contas de 2012 e o plano de atividades para 2013, com a opção pela não-distribuição de dividendos a ser votada favoravelmente, com o único voto contra do grupo Impresa.

O presidente do Conselho de Administração da Lusa sublinhou a importância da “estabilidade” na mais relevante relação contratual da agência – “o cumprimento e manutenção do Contrato de Prestação de Serviço Noticioso e Informativo de Interesse Público entre a Lusa e o Estado Português” -, insistindo, por outro lado, na necessidade de internacionalização da empresa, revelou o gestor.

Afonso Camões defendeu perante os acionistas que a agência Lusa tem que gerir a sua operação na China, Angola e Brasil de forma diferente, sustentando que “operar com sucesso nesses mercados só é possível (e é também desejável) com bases autonomizadas ou em parceria com meios ou agências nacionais desses países”.

“Daí insistirmos na nossa proposta [aos ministérios das Finanças e dos Assuntos Parlamentares] de criarmos uma empresa na China (Macau) e, a prazo, o estabelecimento de parcerias privilegiadas em Angola e no Brasil”, afirmou o gestor perante a assembleia geral.

De acordo com os dados disponibilizados, a Lusa fechou o exercício de 2012 com um EBITDA (resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortização) de um milhão de euros, mais 24% do que em 2011, e um resultado líquido de 292 mil de euros, que corresponde a uma queda de 43% face ao exercício anterior.

Os resultados operacionais situaram-se em 576 mil euros no ano passado, mais 53% do que em 2011.

Já os proveitos operacionais estabilizaram face ao ano anterior nos 19,8 milhões de euros.

A administração chamou ainda a atenção para o novo contrato com o Estado, que representa uma redução de 4,8 milhões de euros, menos 31% na receita da agência, em relação ao contrato anterior, sublinhando que o cliente Estado representa 70% da receita da agência, pelo que, “não obstante a diminuição de custos realizada em anos anteriores, um corte de 31% para 2013 tem um efeito estrutural”.

“Foi com este novo constrangimento que iniciámos 2013, vinculados a um orçamento de risco, dada a dimensão das incertezas do mercado, e a um esforço adicional de ajustamento rápido, que conduziu à rescisão de contratos por mútuo acordo com 24 trabalhadores, no âmbito de um programa de saídas voluntárias”, disse Afonso Camões.

O gestor acrescentou que o exercício de 2013 será assim marcado pela continuação da “diminuição de todos os custos”, respeitando, entre outros, os “pressupostos e garantias” de “assegurar a qualidade do serviço noticioso e as condições de sustentabilidade da agência”. (Lusa)

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