“A comunicação ainda não olha para Cannes como um agregador de boas práticas”

Por a 14 de Junho de 2012

José Manuel Costa está já em Cannes a avaliar os trabalhos inscritos na secção de Public Relations (PR) do festival de criatividade. Ao todo estão inscritos 1.130 trabalhos dos quais apenas 13 são portugueses. O júri de Relações Públicas é presidido por Gail Hiemann (Weber Shandwick).

Meios & Publicidade (M&P): As agências de comunicação portuguesas não costumam valorizar muito o festival de Cannes. Pelo que conhece do festival, acha que se pode tornar num bom indicador para a criação de estratégias de comunicação?

José Manuel Costa (JMC): Sim, é verdade, mas categoria de PR também não existe assim há tanto tempo. Ao contrário de outras áreas, a comunicação ainda não olha para Cannes como um agregador de boas práticas, de criatividade e do melhor que se faz, em PR, no mundo. Cannes sempre foi visto como um festival de criatividade publicitária, e poderá levar algum tempo a mudar esta percepção. Creio que as consultoras de PR ainda olharão com alguma desconfiança para Cannes, e não falo apenas das portuguesas. Haverá, porventura, alguma falta de cultura do sector. É que Cannes, na verdade, é o palco onde o melhor da comunicação é avaliado. E aqui as fronteiras são cada vez mais ténues, veja-se o número de agências de publicidade a inscrever trabalhos em PR.

M&P: E do lado dos clientes? Devem valorizar os prémios que as agências conquistam nos festivais em geral?

JMC: Há um mito – que creio ser verdade – que um cliente, depois de ganhar um prémio inscrito por uma determinada agência ou consultora, decide mudar a agência. Não sei o que quer dizer este mito, mas a verdade é que só existe uma boa estratégia com um bom cliente e uma boa consultora. Só se as duas partes fizerem uma equipa única, com objectivos comuns, é que a relação será proveitosa.

M&P: Há alguma hipótese de as agências de comunicação portuguesas ganharem prémios neste festival?

JMC: Não posso falar dos trabalhos que avalio. No entanto, é interessante ver que a categoria de PR foi a que mais cresceu, globalmente, em inscrições. São 1.130 trabalhos a concorrer, o que nos dá uma ideia da crescente importância de PR em Cannes. Gostaria de ver mais trabalhos portugueses em Cannes. E gostaria de ver o sector da comunicação, em Portugal, a funcionar como incubador de campanhas globais, tal como já acontece noutras indústrias. Incubador – com talento nacional – e não cobaia. Talvez assim olhássemos com outra confiança para Cannes.

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