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Audiências: Um arranque atribulado

3 de Março de 2012 às 10:28:58, por Elsa Pereira

Os primeiros dados de audiências fornecidos pela GFK, relativos ao dia 1 de Março, apresentaram variações significativas no share do cabo e da estação pública. A RTP1, que na quinta-feira homóloga da semana anterior registava 20,8% de quota de espectadores, segundo a nova medição da GFK ficou-se por uma média de share de 13,9%. O novo sistema atribuiu ao total Cabo e ao item Outros uma média de quota de espectadores de 36,9%, quando há exactamente uma semana antes, 23 de Fevereiro, o Cabo atingia um share de 25,8%. No novo sistema da GFK o Cabo, isolado, obteve um share de 23,8%, enquanto o item Outros, que não existia no sistema da Marktest, atingiu os 13,1%.

Contactado pelo M&P, Fernando Cruz, director executivo da CAEM, explicou que o item Outros contempla todo o uso que é dado ao aparelho ao aparelho de televisão que não seja o do consumo televisivo, como jogos, visionamento de gravações, satélite, ou canais espanhóis “em lares na raia da fronteira”. O sistema audio-matching da GFK “detecta todas estas situações, uma vez que se pretende que esteja o mais próximo possível da realidade”.

Paralelamente, registaram-se outros problemas na recolha da informação do painel, como pessoas que viram televisão 24 horas seguidas, visionamento de canais em simultâneo ou registo de audiência de canais por cabo quando esses lares não têm subscrição de televisão paga. “Em mil e tal lares só em dois se verificou a ocorrência de um visionamento de 24 horas seguidas. Existem pessoas acamadas, por exemplo. Seria normal que nesses casos pudessem ter o televisor ligado durante essas horas todas”, justificou Fernando Cruz.

Quanto ao visionamento de canais em simultâneo, o director executivo da CAEM assegurou que, nesses casos, “só um é contabilizado”. “Só é considerado aquele em que é despendido mais tempo”, completou. Face à questão de terem sido medidos lares sem cabo com acesso a canais só disponíveis nesta oferta, Fernando Cruz sustentou: “Há quem não pague e tenha acesso ao cabo. Há instalações em edifícios, sobretudo em Lisboa, sem que as pessoas tenham subscrição desses serviços televisivos”. Não obstante, estas situações “ficarão sob observação”, acrescentou.

Quem não está convencida com estas explicações é a RTP que fala em desconforto quanto ao sistema da GFK. “A RTP está desconfortável com este sistema de medição de audiências e não tem nenhuma evidência de que as coisas tenham melhorado ao longo da fase de testes”. As declarações pertencem a fonte oficial da estação pública que acrescenta que “os resultados de hoje só reflectem as anomalias que já vinham a acontecer”. Questionada sobre o que pondera a RTP1 fazer quanto ao desconforto manifestado a mesma fonte respondeu: “Vamos assistir à evolução do painel e se continuarmos a ver que as coisas não estão bem tomaremos uma atitude”. “Temos dúvidas quanto à fiabilidade do sistema de audiências e infelizmente temos feito muitas perguntas para às quais não obtivemos resposta”.

Em contrapartida, a TVI que havia pedido um adiamento do arranque do sistema diz estar tranquila em relação ao mesmo. “Não temos nenhuma razão para desconfiar do sistema da GFK”, garantiu José Fragoso, director da estação de Queluz. “Acredito no painel, a sua prestação tem vindo a melhorar e os resultados estão em linha com a nossa expectativa”, frisa. “Há afinações normais que têm que ser feitas, mas podem sê-lo em andamento”, concluiu. O M&P tentou chegar inúmeras vezes à fala com a SIC, bem como com a GFK, mas tal não foi possível.