O provedor do ouvinte da Antena 1, Mário Figueiredo, admitiu hoje que a decisão de acabar com a rubrica em que participava o cronista Pedro Rosa Mendes resultou de um ato “ilícito, prepotente e arrogante”. “Considero, principalmente depois da audição de ontem [terça-feira], que tudo indica que houve um ato prepotente, arrogante, por parte de quem tinha decisão de acabar com o programa. Se isto configura um ato ilícito, estou convencido que sim”, afirmou Mário Figueiredo na comissão parlamentar para a Ética, Cidadania e Comunicação, no Parlamento.
O provedor referia-se à audição do ex-director adjunto de informação da RDP, Ricardo Alexandre, o qual afirmou que o ex-director de informação da estação pública lhe disse que o programa “Este Tempo” era suspenso por causa da crónica de Pedro Rosa Mendes sobre Angola. O provedor do ouvinte apontou “várias contradições, meias verdades e insinuações” nos depoimentos feitos à comissão de Ética, que contribuem para a suspeição sobre os motivos da suspensão do programa, mas acrescentou estar convicto de que não houve intervenção da tutela, nem da administração. Esta foi a sexta audição que a Comissão realizou sobre o assunto. Mário Figueiredo adiantou, no entanto, que o fim do programa foi feito de “forma atabalhoada” e que o facto de se tratar de uma estação de serviço público obrigaria a outra atitude.
“A direcção tem toda a legitimidade para tomar decisões, mas o tempo e a forma como o faz obrigaria a outra ética, mais adequada à função do serviço público. Houve uma questão de ‘timing’”, disse, acrescentando que “nada indiciava que os contratos dos cronistas não seriam renovados”. O provedor disse ainda aos deputados que, quando começou a receber queixas dos ouvintes, sobre o fim do programa e a alegada censura aos cronistas procurou esclarecimentos “junto de quem pensava que os podia dar”, dirigindo-se ao director-geral, Luís Marinho que, inicialmente se disponibilizou para dar as respostas necessárias, mas pouco depois resolveu delegá-las no director de informação, João Barreiros. Mário Figueiredo voltou a solicitar mais informações ao director-geral depois de Rosa Mendes dizer que o programa acabou em consequência da sua crónica, mas recebeu apenas como resposta: “Senhor provedor, esse senhor (Rosa Mendes) é um mentiroso!”. (Lusa)