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“Portugal tem a mais pobre oferta da TDT da Europa”

13 de Janeiro de 2012 às 00:58:39, por Elsa Pereira

Sérgio Denicoli, investigador da Universidade do Minho e especialista em TDT, traça duras críticas ao processo de transição do sinal analógico televisivo para o digital e considera que o modelo português “visa beneficiar as empresas privadas”, uma vez que acredita que o “carácter económico” da TDT se sobrepôs à “óptica social”.

Em entrevista ao M&P o especialista refere que “o país não está preparado para receber a TDT, pois não tem incentivado de forma contundente a migração do analógico para o digital. Hoje, quem aderir à TDT vai obter a mesma oferta da TV analógica, que se restringe aos quatro canais generalistas. Isto não ocorreu em país algum da União Europeia. Portugal tem a mais pobre oferta da TDT da Europa, segundo dados do Observatório Audiovisual Europeu”, salienta.

“Outro grande problema”, aponta Sérgio Denicoli, “ocorre nas chamadas zonas de sombra, onde o sinal da televisão digital chegará apenas via satélite”. E explica: “Estas zonas atingem cerca 13 por cento da população. Nesses locais o investimento que deverá ser feito por cada família para receber o sinal gratuito da TV é algo em torno de 116 euros para equipar apenas um televisor e mais de 200 euros se a família desejar ver TV em dois aparelhos”. O investigador diz que “a comunicação oficial é pouco eficiente e falha, pois não esclarece todos os pontos relacionados com a TDT”. E vai mais longe: “A impressão que se tem é que o modelo de televisão digital terrestre em Portugal visa justamente beneficiar as companhias privadas, pois a TDT seria uma excelente oportunidade para o Governo promover a inclusão digital, mas isto não tem ocorrido”.

O especialista comenta ainda o facto de que “com a TDT muitas frequências serão libertadas, proporcionando diversos novos serviços de comunicação, entre eles o 4G, que vai proporcionar uma internet móvel em banda larga no país”. Porém, alerta, “estas frequências são dos cidadãos de Portugal e têm sido leiloadas por muitos milhões. No entanto, a população tem recebido muito pouco em troca da disponibilização das frequências e ainda terá que realizar investimentos se quiser continuar a ver exactamente o mesmo que já vê na TV analógica”.

A entrevista integral foi publicada na edição de hoje do M&P.