
António Cunha Vaz, presidente da Cunha Vaz & Associados
Uma boa notícia
2012 vai ser melhor que 2013. É ou não uma boa notícia? Se os tempos que se avizinham fossem uma árvore de Natal diria que as tradicionais luzinhas estariam acesas atrás da dita, deixando adivinhar um futuro previsível. Mas a árvore de Natal, ao contrário do túnel onde por vezes se descortina uma luz, não tem frente nem fim. Tão só porque é cilíndrica. Se nos colocarmos do lado das luzes temos o presente e vemos o futuro escuro. Se procedermos inversamente sempre adivinhamos uns pontos de luz que nos podem fugir com a rotação da árvore, é certo, mas que estão lá!
E é assim a economia do presente e será assim a economia dos próximos anos. Não será tempo de margens, de lucros, de dividendos, não será tempo de fausto, de endividamento livre e muitas vezes irresponsável – das empresas e dos indivíduos –, dos empresários de vida faustosa com empresas descapitalizadas, dos salários em atraso, das contribuições para o estado com atrasos significativos.
Tudo começou num tempo de favores que denunciei há quase três anos no jornal Público. Tudo acabou no estado em que o país foi deixado, sem que ninguém seja responsabilizado.
A mentira das empresas campeãs de exportação – que afinal fechou –, a mentira dos acordos internacionais que nunca entraram em funcionamento, dos barcos vendidos – até a Hugo Chávez, pasme-se – mas que nunca foram pagos, enfim, permitiram respirar um pouco em 2011. Mas o peso do passado vai fazer com que 2013 seja um dos piores anos de sempre da economia portuguesa.
Gozemos, pois, 2012. Temos um ano para adivinhar qual o lado da frente da árvore.
As perspectivas para 2012 de Alberto Rui Pereira, António Cunha Vaz, António Mendes, Carlos Coelho, Diogo Anahory, Hugo Andrade, João Paulo Luz, Miguel Osório, Octávio Ribeiro e Paulo Campos Costa foram publicadas na sexta-feira, na edição em papel do papel do M&P. Para mais informações contacte Isabel Garcez.