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Media, Media :: Noticias, Opinião

Concorda com a privatização da RTP nos moldes definidos pelo Governo?

21 de Novembro de 2011 às 00:53:30, por Meios & Publicidade

Nuno Vasconcellos, presidente e CEO do Grupo Ongoing

É um facto que o sector da comunicação social está a passar por um processo de transformação directamente relacionado com a inovação tecnológica e a alteração de hábitos de consumo. E é verdade que, em Portugal, isto acontece num período de grave crise económica, que vai obrigar as empresas a mostrarem uma capacidade de adaptação sem precendentes.

Este contexto em que se discute e decide a privatização da RTP é difícil, mas não pode ser olhado como mais uma desculpa para se adiar uma oportunidade de repensar o papel do Estado na economia e de encontrar coerência na sua intervenção no sector dos media. A degradação geral da situação económica e, particularmente, das finanças públicas, constitui, aliás, um incentivo para que esta privatização se faça.

Não faz sentido que o Estado foque a sua atenção em definir se é accionista titular de um, dois, ou mais canais televisivos, ou na gestão de uma estação de televisão, em vez de centrar a sua acção no cumprimento do fim último de ter essa exacta participação no panorama televisivo: o serviço público.

Esta é a altura, por isso, de discutir a forma como o serviço público pode ser implementado e considerar a possibilidade de este objectivo ser conseguido através de uma contratualização com os privados – já é sabido que há canais privados que fazem verdadeiro serviço público. Esta pode ser uma oportunidade, também, para concretizar – em letra de forma – o incentivo à produção nacional e à produção em português, promovendo a língua, uma inegável vantagem competitiva que é preciso explorar.