É interessante assistir ao exercício do poder dos Media! Eu nunca o pratiquei, em mais de 20 anos, mas acabo de assistir a um exemplo brilhante por parte do nosso concorrente e seus donos. Acontece que decidiram que teriam de destruir a nossa iniciativa Prémios Reputação que os parece atingir em duas frentes – no seu negócio de Comunicação, e no seu jornal, o Briefing.
Então o nosso concorrente desatou numa enxurrada de notícias em que pretendia denunciar um “caso”… Nem sei bem o quê, não interessa… Um caso. Agarrou-se ao facto de o nome Prémios Reputação ter sido registado por uma empresa do Salvador da Cunha, seu concorrente e rival de estimação, e não pela APECOM. Claro que não existe aí nenhuma história, porque para os promotores dos Prémios esse dado não tem qualquer relevância, foi apenas uma questão prática.
Mas vejamos: O Briefing tem sido acusado de ser um instrumento de comunicação ao serviço dos interesses dos seus donos e respectivos clientes. Todo o mercado tem escrito em blogues e falado sobre isso e o M&P publicou um editorial em que denunciava frontalmente essa situação. Convinha ao Briefing arranjar um bode expiatório no sentido contrário e então começou a desenhar esta ligação de interesses entre o M&P e Salvador da Cunha, que culminava na organização dos Prémios Reputação.
Admito que nunca imaginei onde me poderia estar a meter ao propor uma parceria com a APECOM. Nós queríamos desenvolver a nossa actividade de prémios que tem tido bastante sucesso desde há já longos anos. A APECOM estava já também a preparar os “seus” prémios. Uma parceria fazia então mais sentido do que lançar uma iniciativa concorrente. Comunicámo-la aos leitores logo no final de Fevereiro, apesar de termos demorado largos meses a negociar os termos da parceria. Os interesses das duas partes não são completamente iguais. Da parte da Apecom o interesse não é o lucro mas sim o apoio e promoção das empresas do sector. Para nós essa questão é importante, mas somos uma empresa e qualquer iniciativa deve, em princípio, gerar um lucro. Como tal estávamos ainda a terminar a negociação quando se iniciou esta campanha do Briefing.
O M&P tinha acabado de entrar de férias e a sucessão de “notícias” foi mais do que suficiente para se auto-descredibilizarem a elas próprias. Mas, como dono e responsável máximo pela gestão da WorkMedia, e agora que estamos todos de volta, vale a pena dar uma explicação ao mercado:
• Não gostei da publicação no M&P de um editorial em que se denuncia a falta de independência do Briefing e nunca antes um jornal meu tinha dito mal de um concorrente. Costumo pensar que o mercado, os leitores, percebem muito bem o que se passa, pelo que não teria sido necessário nós próprios apontarmos o dedo;
• Quanto aos Prémios Reputação, tinha já decidido, se bem que não comunicado, o nosso afastamento como promotores, por razões que se prendem com a exploração dos mesmos;
• O M&P está, no entanto, disponível para ser media partner da iniciativa, se a APECOM o entender;
• Gostava que ficasse claro que a decisão de deixar a organização dos prémios foi uma pura decisão de gestão, mas admito que o M&P não teria outra alternativa senão afastar-se, depois de toda esta campanha premeditada;
• Reconheço que esta minha decisão serve os interesses do nosso concorrente, mas na WorkMedia temos de nos concentrar no negócio e não em guerrinhas menores;
• Quem nos acompanha sabe que o M&P não tem interesses nos temas sobre os quais escreve e jamais servirá interesses de terceiros.
Pedro Corrêa Mendes, administrador da WorkMedia