Quando o plágio se cola como um tag

Por a 2 de Julho de 2010

spheres Of Fury. Não é ironia para referir a bola de neve em que se tornou a onda de acusações que corre nas redes sociais e blogues sobre o filme publicitário Animal Social, criado pela Euro RSCG e produzido pela Ministério dos Filmes para a nova campanha de publicidade da marca Tag da Optimus. Trata-se do título de um vídeo musical de Hecq Vs Exillion, dois produtores de música berlinenses, filmado e realizado por Tim Brown e Christopher Hewitt. Nesse vídeo, dois grupos de pessoas juntam-se numa espécie de descampado, lançam fumos rosa e amarelo e dão início a uma batalha com bisnagas. O mesmo que acontece no novo filme da Optimus, durante cerca de sete dos 30 segundos que compõem a versão exibida na televisão e durante grande parte de uma versão de um minuto e trinta segundos que circula na internet. Não tardaram as acusações de plágio nos blogues, tendo mesmo chegado a surgir um vídeo no YouTube que coloca os dois filmes lado a lado para revelar uma cópia praticamente frame a frame. Uma acusação rebatida por Ricardo Monteiro, CEO da Euro RSCG, que em declarações ao M&P esclarece que “a ideia do filme não é a da guerra de bisnagas mas sim a das várias ‘raças’ de animais sugerida pelos barretes que todos os intervenientes no filme usam. Em qualquer das versões do filme esta cena é apenas uma introdução, aliás na versão de televisão esta cena não deve ter mais do que cinco segundos”. “O conceito criativo deste spot não é a luta de bisnagas, é o conceito da interacção entre as várias raças que está subjacente à ideia de ‘animal social’ que pretendemos transmitir”, reforça Pedro Graça, responsável pela Euro RSCG Lisboa, que admite, no entanto, que o filme Spheres Of Fury foi visto pela equipa antes da produção do spot Animal Social. “Este foi um dos vídeos que foi visto por todos (cliente, agência e produtora) na PPM como referência para uma cena introdutória do filme, a cena da guerra de bisnagas. Mas foi mais para referência sobre questões técnicas como o comportamento cénico da água a embater nos intervenientes”, justifica Pedro Graça. Confrontado com o facto de muitos dos planos que surgem na versão de um minuto e meio serem semelhantes aos do vídeo musical, o responsável da agência afirma que “a versão original é a de 30 segundos que passa na televisão e que essa versão é uma derivação, não o contrário”. Mas faz ou não parte da campanha da Optimus? “Faz parte da campanha mas nunca foi uma coisa planeada com aquele formato. Há parecenças mas aquele filme resultou de material filmado que não constava do planeamento do shooting original”, justifica Pedro Graça, que acrescenta que “o realizador se entusiasmou e fez uma série de derivações. Não estou com isto a dizer que foi à revelia da agência, a produtora não fez nada que nós não soubéssemos, mas nada daquilo resultou dos planos que estavam previstos para serem rodados”.

Ricardo Monteiro deixa ainda uma crítica a toda esta situação, ao dizer que “contrariamente a outras agências, e os exemplos abundam, servimo-nos de referências visuais e buscamos inspiração na cultura popular. E nisso envolvemos o cliente, não o escondemos. A publicidade é isso mesmo, devolver à sociedade os sinais que ela nos envia sob uma forma comercial”. E questiona: “O I Gotta a Feeling é um plágio ou inspiração? A publicidade que faz referência a outros filmes, por vezes de longa-metragem, são plágios ou retratamentos comerciais de uma mensagem?” Contactada pelo M&P, a Optimus remeteu mais explicações para a Euro RSCG.

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