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Especial Imprensa regional – Um país, várias imprensas regionais

Os números falam por si. Oitenta por cento da imprensa regional portuguesa é composta por micro-empresas, tem menos de 10 trabalhadores e apresenta volumes de facturação que, numa parte significativa (40 por cento), não excedem os 100 mil euros.

Ana Marcela
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Os números falam por si. Oitenta por cento da imprensa regional portuguesa é composta por micro-empresas, tem menos de 10 trabalhadores e apresenta volumes de facturação que, numa parte significativa (40 por cento), não excedem os 100 mil euros.

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Os números falam por si. Oitenta por cento da imprensa regional portuguesa é composta por micro-empresas, tem menos de 10 trabalhadores e apresenta volumes de facturação que, numa parte significativa (40 por cento), não excedem os 100 mil euros. Os resultados financeiros também não revelam motivos de grande animação: de 2006 a 2008, o sector, de acordo com o estudo A Imprensa Local e Regional em Portugal, realizado pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), tendo por base um amostra de 155 empresas, apresenta um EBIT em quebra: De 64,7 mil euros em 2006, o segmento apresenta no ano seguinte 1.042.160 euros negativos e em 2008 fixa-se nos 1.340.007 euros negativos (ver caixa). A evolução do lado das receitas de 2009 para este ano também não parece dar mostras de inversão desta tendência. No primeiro semestre o volume de investimento canalizado pela agência de meios Meio Regional, para as mais de 170 publicações com quem colabora, “caiu na ordem dos 40 por cento”, revela Rui Paulo, director-geral da agência de meios especializada neste segmento de imprensa, uma quebra resultante de uma “redução da actividade económica” das marcas, tendo sido o “sector das telecomunicações aquele que mais contribuiu” para essa descida. A diminuição, descreve Rui Paulo, “afectou mais o interior do que o litoral”, sendo os títulos do interior “sempre mais massacrados” em termos de investimento, já que as opções neste campo são “sempre mais centradas nos grandes centros de comunicação” e de consumo.

Filomena Moreira, directora-geral da Publimpor, agência de meios especializada neste segmento de imprensa, diz não sentir “uma redução significativa no volume de investimento que valha a pena assinalar”, nem uma “grande oscilação em termos de tipologia de anunciante”. “O actual momento da imprensa regional é um reflexo das condições do país… Alguns meios têm interrompido as suas edições, manifestamente por falta de receitas e muitos outros se vão mantendo. Os que se mantêm são fruto de uma gestão muito rigorosa”, comenta a responsável.

“O nosso mercado permite-nos estar a facturar este ano mais seis por cento do que o ano passado”, afirma por seu lado Joaquim Emídio. “Temos muito que trabalhar para ganharmos a confiança das empresas que ainda não perceberam que nós somos melhores a vender que os jornais de Lisboa e do Porto. O mercado está quase todo por explorar. A comunicação social não pode viver do anúncio de agência. O resto está escrito nos livros”, comenta o director-geral de O Mirante.

“O Diário do Sul tem tido a mesma percentagem de redução de publicidade que os nacionais, e a nível regional vive dos seus melhores anunciantes que acreditam – e agora o estudo da ERC confirma – que o Diário do Sul é o veículo privilegiado para publicitar em todo o Alentejo e que os ajuda na promoção das suas empresas realçando o seu valor no desenvolvimento e no crescimento do emprego na região”, comenta José Piçarra. Contudo, o administrador do título regional concretiza as razões da quebra de investimento. “Toda a quebra de publicidade sentida no nosso jornal provém do não cumprimento da distribuição da publicidade do Estado pela imprensa regional, pela má aplicação das verbas dos organismos e instituições do Estado que desperdiçam fundos em folhetos, cartazes, sacos de plástico em árvores, e outras formas de comunicação que em nada servem o propósito da informação ao público e prejudicam a imprensa no seu papel fundamental de informação independente do poder político e económico”, acusa, apontando ainda o dedo às políticas agressivas de descontos a preços de tabela que não têm contribuído para uma melhor saúde financeira do sector de imprensa. “Temos a noção, pelo que os nosso colegas falam, e pela publicidade que vemos na imprensa, que houve uma redução muito grande do investimento publicitário, mas temos a certeza que na publicidade existente o desconto comercial é ainda pior, rondando os 60 por cento”, afirma. Já Rui Paulo dá uma visão mais optimista no que toca à ‘sangria’ provocada pelos descontos, afirmando que o sector “conseguiu conter essa descida do preço”. “A partir de determinada altura os editores não desceram mais”, diz.

A diferença de ser local e regional

Com mais de 700 publicações de índole local e regional registadas na ERC, o administrador do Diário do Sul faz uma clara distinção entre comunicação social local (constituída por “pequenas publicações, de periodicidade mensal ou quinzenal, tiragens reduzidas e circunscritas às cidades onde estão sediadas”) e regional (que “cobrem o concelho ou a região, têm dezenas de trabalhadores, são de periodicidade diária ou semanal e as tiragens superam os cinco mil exemplares”). “Podem identificar-se em Portugal cerca de 20 publicações – nas palavras de Afonso Camões (Lusa) – que têm potencial de crescimento e que podem dinamizar todo o sector, com mais emprego para jornalistas, melhor qualidade dos jornais, produzir mais conteúdos e reafirmar a liberdade e independência política e económica do poder”, considera José Piçarra. E não está só nesta apreciação. Também para Rui Paulo, da Meio Regional, não se pode olhar para a imprensa regional como um bloco único, considerando que da panóplia de títulos existentes há “10 a 15 projectos de imprensa sólidos”, considerando que “a grande maioria das empresas de pequena dimensão por si só não representa a totalidade da imprensa regional” e que “grande parte do investimento está a ser canalizado para 10 a 15 projectos”. Para o responsável da agência de meios, o facto do sector ter poucos títulos com periodicidade diária não é necessariamente negativo, numa referência ao recente estudo do organismo regulador para a comunicação social que considerava que esse facto podia ser indiciador de falta de pluralismo, frisando que também em termos nacionais o número de diários não é abundante, e o mesmo se aplica aos semanários. “Agora é tempo de olhar a sério para os projectos, controlar os custos, melhorar a eficácia, de encontrar novas fontes de financiamento, de desenvolver novos modelos de distribuição. Não é altura de estarmos quietos. As empresas têm de olhar de dentro para fora”, considera o responsável da agência de meios.

“O momento actual é crucial para a imprensa regional e nomeadamente para os projectos que querem e têm potencial de crescimento, pois se podemos afirmar que para a imprensa local o panorama não se vai alterar – pois quem é pequeno assim continuará, porque não é afectado pela quebra publicitária ou de leitores e assinantes – e quem pertence a grupos de imprensa regional não vai sentir a crise pela absorção dos custos no conjunto da empresa”, diz, por seu turno, José Piçarra. “É a imprensa regional que quer expandir-se nos concelhos ou nas regiões, os jornais que querem mais jornalistas e que procuram mais produção de conteúdos de produção própria e aqueles que procuram maior isenção e pluralismo que estão a ser afectados, nos últimos anos com a redução do incentivo à leitura/porte pago, redução de publicidade do Estado, aumento de custos, taxas, e impostos”, argumenta o administrador do Diário do Sul. Para este responsável, a imprensa regional “só poderá crescer se o Estado decidir apoiá-la cumprindo a lei da publicidade institucional, desviando o restante investimento público dos suportes apenas publicitários para a imprensa, encerrando publicações públicas e autárquicas, tais como boletins e outros, se restringir os conteúdos informativos das autarquias em todas as plataformas, apoiar a distribuição de jornais aos assinantes em função da periodicidade e oferecer um incentivo de subsídio ao leitor à assinatura de jornais regionais, em resumo, deixar para a imprensa regional o papel da comunicação, promoção do Estado e autarquias nas regiões onde estão sedeadas”.

O que o futuro reserva a este sector?

Joaquim Emídio acredita na imprensa regional, sector que considera ter “todas as condições para se afirmar em tempo de crise”, afinal, “as histórias de sociedade aumentam quanto mais aumenta a fome, a miséria social e a discriminação”, temáticas que poderiam ser melhor trabalhadas pela imprensa regional.“Leio regularmente jornais espanhóis e franceses e quase metade da informação é sobre problemas com imigrantes ou sobre cultura e economia relacionado com o espaço europeu onde estamos integrados. Acho que se investe pouco e mal na imprensa regional nomeadamente neste capitulo”, afirma o director-geral de O Mirante. “E há por aí muita gente instalada que fala de boca cheia de liberdades e garantias mas que se portam como senadores do jornalismo quando não passam de assalariados. A maior parte deles não escreve uma boa história há anos. Custa-lhes puxar pelos neurónios. Vivem à sombra da falta de visão dos empresários e eles próprios sustentam-se e sustentam o sistema à espera da idade da reforma”, acrescenta o responsável. Talvez por isso o director-geral de O Mirante não se mostre muito preocupado com eventuais futuros encerramentos de títulos regionais, onde vê uma oportunidade de renovação do sector. “Quanto mais morrerem de velhos melhores jornais renascerão. A necessidade aguça o engenho. Há jornais cheios de vícios sem profissionais que jamais se renovarão. Têm que morrer para dar lugar aos novos, ou seja, à necessidade de criação de novos projectos. A revolução também se pode fazer sem sangue”, diz.

“Obviamente que acreditamos que mais alguns títulos venham a fechar”, afirma Filomena Morais, directora-geral da Publimpor, apontando esse potencial desfecho à situação da economia e das finanças de alguns dos títulos. “A imprensa regional é uma imprensa de sobrevivência. Enquanto certas estruturas estiverem à frente dos projectos vão levá-los os projectos até onde for possível”, diz Rui Paulo, da Meio Regional.

José Piçarra não ficaria surpreendido com notícias dando conta do encerramento de títulos regionais, já que alguns, diz, estão já “com a situação no limite com dívidas ao Estado e a terceiros”, o que é de lamentar pois, com o seu fim desaparece “parte da história do país verdadeiro”. Mas, ressalva, “encerram também projectos de imprensa regional que não eram mais do que formas encapotadas de publicações de publicidade com notícias misturadas que desfalcaram o mercado publicitário quer por ilusões gráficas ou de promessas de projectos impossíveis ou de tiragens fictícias”.

Multiplataforma, parcerias e a publicidade do Estado

Mas o que poderá ser feito para contornar os problemas que afectam este sector de imprensa? Rui Paulo acredita que determinados projectos já estão a preparar-se para dar o passo em frente e a “posicionar-se de forma a não estarem dependentes de um único produto: um jornal em papel”, sendo que “alguns estão preocupados em diversificar” para novas áreas, à semelhança da imprensa nacional, entrando em sectores como eventos, conferências e debates, “agilizando esse tipo de ofertas nas suas regiões”. “Este ano é muito importante para o próprio sector que terá de ter capacidade de se reinventar. Dentro do que é a sua realidade terá de fazer alguma coisa”, acredita. No caso da Meio Regional, empresa que desde Outubro passado deixou de fazer parte do universo da Lena Comunicação – através de um processo de Management Buy Out (MBO), concretizado por Rui Paulo, que comprou os restantes 75 por cento da empresa por um valor que se escusou a revelar -, a aposta passou por, em Junho, expandir a sua panóplia de serviços. A empresa de meios regional passou a representar, embora em regime de não exclusividade, a publicidade exterior da Publifunchal (Madeira) e a Açormedia (Açores), iniciativa que visou “aprofundar a relação com os meios, passando também a ser interlocutor dos restantes suportes que têm”, explicava na época ao M&P Rui Paulo. Isto porque a Meio Regional representa a venda de espaço para o Diário de Notícias da Madeira (da Empresa Diário de Notícias, detida a 60 por cento pelo grupo Blandy, proprietário da Publifunchal) e do Açoriano Oriental (da Açormedia) e, com esta iniciativa, adicionar ao seu portfólio 234 faces (quatro circuitos) no Funchal (inclui mupis, Look Vespas, Look Walkers e Look Cards) e 34 faces em Ponta Delgada.

“Não há soluções milagrosas para fazer funcionar o mercado. Tudo se fará no seu tempo”, comenta por seu turno Joaquim Emídio, que considera que o futuro do sector de imprensa regional poderá estar na adição de produtos multiplataforma. “Acho que com a televisão regional haverá mais descentralização e o mercado de trabalho será mais rico. Ninguém quer trabalhar fora dos grandes centros. Sem bons profissionais e sem uma boa escola de jornalismo de proximidade nunca haverá grandes projectos fora dos grandes centros de Lisboa e Porto”, acredita o responsável de O Mirante, que defende ainda parcerias com grupos de media. “Os grandes grupos serão os nossos melhores parceiros. Se não quiserem pior para eles. Já ninguém cresce fora de Lisboa e Porto. Com as parcerias os grupos só teriam a ganhar. Há condições para imprimir edições diferenciadas em papel. E este é só um exemplo”, diz. “O Mirante tem uma redacção de 13 jornalistas com variadas áreas de residência que vão de Vila Franca a Tomar. Fazemos o jornalismo mais caro do mundo e não temos parceiros para o rentabilizar. Mas que raio de país é este?”, questiona. Na calha, revela, depois da edição Lezíria do Tejo, Médio Tejo e Vale do Tejo “temos prevista uma edição para o norte de Lisboa. E queremos a televisão regional. Por cabo ou seja lá como for uma televisão regional faz-nos falta”.

Planos de expansão também não faltam ao Diário do Sul. A “curto prazo e em parceria com a Vasp”, o título – um dos braços do grupo regional que detém uma rádio local e uma web TV – quer estar à venda em banca “em todo o distrito de Beja com especial destaque para o litoral Alentejano, colmatando a falta de imprensa regional na região, e passar a estar disponível diariamente em todo o Alentejo”, anuncia José Piçarra. O administrador do Diário do Sul enumera uma lista de obstáculos com que o sector se debate actualmente, como “a redução no apoio à distribuição que leva à redução de circulação paga de jornais regionais e à alteração da periodicidade dos mesmos de forma a reduzirem despesas, promovendo a imprensa gratuita sem controlo de tiragens dependente exclusivamente do poder económico e político”. E aponta soluções: A “classificação dos títulos regionais por circulação paga auditada pela APCT, por índice de leitura pela Marktest e apoio à distribuição consoante a periodicidade”. E o papel do Estado e da administração pública também não está isento de críticas, do seu ponto de vista. Piçarra fala em “critério duvidoso da publicidade do Estado, das instituições, das empresas públicas em plataformas de publicidade – a saber, pendentes de sacos de plástico, publicidade exterior, cinema, e muitas outras – que absorvem a maior parte do investimento publicitário retirando as verbas, inclusive as legalmente impostas à imprensa regional (12,5 por cento) – impedindo os meios de comunicação social de usarem todo esse investimento para a produção de informação, que depois é exigida em nome do interesse público, pelas mesmas entidades”. E, mais recente, a “tentativa de produção de informação que o Estado, as instituições, as empresas públicas e as autarquias têm vindo a produzir quer através de jornais, boletins, sites ou portais na internet, webTV, newsletter ou outros de forma a iludir o leitor de que está a ver, ler ou ouvir informação jornalística, quando não passa de propaganda política ou institucional”, alerta. “Pensamos não haver dúvida de que a medida correcta aqui a aplicar seria a proibição legal das entidades produzirem informação jornalística para todas as plataformas e de contratarem jornalistas profissionais e empresas de comunicação para esse fim”, propõe.

O M&P tentou obter um comentário da Lena Comunicação, um dos grupos mais relevantes em termos de imprensa regional, mas não foi possível.

– Retrato de um sector

Até 7 de Dezembro do ano passado estavam registadas na ERC 728 publicações periódicas de âmbito local e regional em Portugal Continental e Regiões Autónomas. Desse lote de títulos, apenas 2,5 por cento têm uma periodicidade diária, sendo que a maioria apresenta uma periodicidade mensal (37,5 por cento), seguida de semanal (29,4 por cento), quinzenal/bimensal (23,9 por cento) e, por fim, bissemanal, trissemanal e trimensal (2,5 por cento) e, “um total de 4,3 por cento das publicações são editadas exclusivamente online”, descreve o estudo A Imprensa Local e Regional em Portugal, realizado pela ERC e apresentado em finais de Junho. O facto de apenas uma ínfima parte dos títulos ser diário levanta algumas questões, como realça o estudo. No entender do organismo regulador, existirem apenas 18 diários regionais “dificulta o cabal cumprimento do papel que cabe à imprensa regional”, o que se torna “mais importante pelo facto de a imprensa nacional não favorecer a cobertura da actualidade local e regional e de ser escassa a existência de edições regionais dos diários nacionais”. Além de que, para o organismo regulador, “a cobertura jornalística da actualidade regional é um elemento essencial a uma democracia pluralista”.

O estudo também faz uma análise económico-financeira do sector, tomando por base as contas de uma amostra de 155 empresas relativas aos anos de 2006 a 2008. O cenário descrito não é animador. A maioria das empresas que constituem a amostra (40 por cento) apresenta um volume de negócios que não excede os 100 mil euros, “sendo muito reduzido o número de empresas cujo volume atinge o milhão de euros”. Uma percentagem elevada da amostra revela um tecido empresarial composto maioritariamente por micro-empresas (80 por cento) “cujo o volume de negócio não excede os dois milhões e o número de trabalhadores é inferior a 10”. Apenas 19 por cento são pequenas empresas e o restante (1 por cento) corresponde a empresas de média dimensão.

Trata-se de um “sector deficitário, o que é revelado por resultados líquidos negativos nos três anos analisados, além de um baixo desempenho pela maioria das empresas em termos de volume de negócios, facturação média, receitas e número de trabalhadores”. Efectivamente, entre 2006 e 2008 verifica-se uma diminuição do activo líquido e do capital próprio de 84 e 79 por cento, respectivamente, sendo essa descida mais acentuada a partir de 2007, realça o estudo. No período detecta-se igualmente um decréscimo das dívidas a curto-prazo (-20 por cento). Contudo, paralelamente as dívidas a terceiros de médio e longo prazo aumentam 92,5 por cento. Em 2006 a amostra obteve receitas de 121,3 milhões de euros, 126 milhões no ano seguinte, registando uma quebra em 2008 para os 124,4 milhões de euros. Os custos variaram entre 107,6 milhões de euros e 112,2 milhões de euros, tendo em 2007 atingido o valor mais elevado: 114,4 milhões de euros. Os custos com pessoal representam apenas 30 por cento, o que apesar de ser o segundo item mais elevado na estrutura de custos, são valores “relativamente baixos, o que significa que se trata de empresas com escasso número de trabalhadores, elemento indiciador de um menor grau de profissionalismo”. O EBITDA revela uma tendência de queda: em 2006 este situava-se nos 12,7 milhões de euros, fechando o triénio com 10,7 milhões de euros, o que representa uma queda de 15,5 por cento. E o mesmo sucede com o EBIT: de 64,7 mil euros em 2006, cai no ano seguinte para os 1.042.160 euros negativos e em 2008 fixa-se nos 1.340.007 euros negativos. Resultados que empurram o sector para resultados líquidos negativos de 5 milhões para 6,6 milhões de euros.

Sobre o autorAna Marcela

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26ª Festival CCP tem 346 trabalhos finalistas. Categoria de Design lidera

As votações decorreram presencialmente, a 15 e 16 de maio, no espaço cedido pela Xerox, patrocinador do festival, na antiga Fábrica do Pão, no Beato Innovation District, em Lisboa, no mesmo local onde os vencedores serão revelados a 24 de maio, na Gala 26ª Entrega de Prémios CCP

O júri do 26º Festival CCP selecionou 346 trabalhos para ‘shortlist’, entre um total de 933 inscrições a concurso, nas sete categorias abrangidas no festival do Clube da Criatividade de Portugal. As votações decorreram presencialmente, a 15 e 16 de maio, no espaço cedido pela Xerox, patrocinador do evento, na antiga Fábrica do Pão, no Beato Innovation District, em Lisboa.

De acordo com os dados da organização do Festival CCP, as categorias com mais trabalhos na final são Design (80; 40% de 200 inscrições), Craft em Publicidade (73; 33% de 220 inscrições), Digital (71; 44% de 162 inscrições), Publicidade (63 finalistas; 34% de 185 inscrições), Experiências de Marca (27; 31% de 88 inscrições), Criatividade em Meios (23; 44% de 52 inscrições) e Integração e Inovação (9; 35% de 26 inscrições).

A lista completa de finalistas por categoria pode ser consultada online e os vencedores serão revelados a 24 de maio, na Gala 26ª Entrega de Prémios CCP, que se realiza no espaço da antiga Fábrica do Pão, no Beato Innovation District, em Lisboa.

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Beefeater patrocina Oeiras Padel Academy e aproveita prova para lançar gin sem álcool

A marca de destilados dá nome ao Open Beefeater 0.0, competição de padel organizada pela Oeiras Padel Academy. Para além de reforçar a estratégia de ligação ao desporto, divulga a nova variedade de gin sem teor alcoólico. Em preparação está também uma campanha para promover o produto

A Beefeater patrocina o Open Beefeater 0.0, competição de padel organizada pela Oeiras Padel Academy que se realiza entre os dias 17 e 19 de maio. É a segunda vez que a marca se associa ao torneio, aproveitando a edição deste ano para lançar publicamente a Beefeater 0.0, uma bebida elaborada com botânicos naturais, com um teor alcoólico de 0,0% em volume, inspirada no clássico Beefeater London Dry Gin, reforçando a estratégia de ligação da marca à modalidade desportiva.

“O padel é um desporto com uma procura crescente e com cada vez mais adeptos, ajudando não só ao bem-estar físico, mas também a ser um momento perfeito para socializar e juntar amigos e/ou família, motivo pelo qual, para Beefeater 0.0, um produto com 0% de álcool que nos permite entrar no território do desporto, esta associação nos pareceu natural e com sentido”, justifica ao M&P Yuliya Vashchyshyn, gestora de marca do gin.

“A presença de Beefeater 0.0 no Oeiras Padel Academy, enquanto main sponsor, vem marcar uma nova era para Beefeater que, com a qualidade a que o consumidor já está habituado, se eleva para outro patamar de momentos de consumo, vendo no desporto e em particular no padel, um momento onde se fomenta a socialização entre as pessoas, o lazer e o convívio”, refere ainda a responsável pela promoção do gin, que integra o portefólio de bebidas do grupo Pernod Ricard.

Dinamizar ativações em eventos significativos para a modalidade é uma das apostas da marca para potenciar a estratégia de comunicação que está a ser delineada para promover o produto. “Estamos ansiosos por explorar todas as oportunidades para fortalecer ainda mais a nossa conexão com este meio”, assegura Yuliya Vashchyshyn, revelando também que está a ser preparada uma campanha publicitária multimeios para divulgar o Beefeater 0.0 nos meses de maior calor.

Sem adiantar valores, a marca confirma o reforço do orçamento de marketing para promover as novidades de 2024. “Aumentámos o investimento em comunicação devido ao lançamento de três novas referências no portefólio, refletindo o nosso compromisso contínuo em impulsionar a marca, expandir a nossa presença no mercado e envolver eficazmente o nosso público-alvo. Este investimento adicional permitirá ampliar as nossas iniciativas de marketing”, refere a responsável.

Sobre o autorLuis Batista Gonçalves

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13ª edição dos Prémios de Criatividade M&P

Alexandre Costeira (GR8), Américo Vizer (LLYC), Filipe Teotónio Pereira (Nova Expressão), Francisco Pedreira (Clube Recreativo), Ivo Purvis (Dentsu Creative Portugal), João Madeira (Fuel), Judite Mota (VML), Luís Lobato Almeida (Pingo Doce), Mário Patrocínio (Bro Cinema), Nuno Cardoso (Nossa), Nuno Miranda (DAZN), Pedro Morgado (Fullsix), Rita Amzalak (Havas Media), Rodrigo Silva Gomes (Lola Normajean) e Vasco Thomaz (Judas) avaliam os trabalhos a concurso

Numa era cada vez mais dominada pela inteligência artificial generativa, premiar a criatividade humana é um ato pré-revolucionário. Chegará o dia em que, no limite, a ‘criatividade artificial’ poderá ser o que nos resta para avaliar e premiar?

Por enquanto, queremos continuar a olhar e a distinguir o que os humanos são capazes de criar em comunicação comercial, com mais ou menos colaboração de máquinas, Midjourney, ChatGPT e todos os seus parentes, que se estão a reproduzir em nome da produtividade, eficácia, eficiência e melhoria dos resultados.

Chegará o dia em que as fichas técnicas irão incluir, obrigatoriamente, as ferramentas de inteligência artificial generativa utilizadas em cada campanha, lado a lado com os seus ‘pares’ humanos? E o Photoshop e seus derivados, normalizados há décadas, com todas as consequências, boas e más, sobejamente conhecidas?

Não há dúvidas sobre o poder da inteligência artificial nas várias fases de criação de uma campanha publicitária, da ideia ao planeamento da veiculação, passando pelo desenvolvimento e execução. Mas devemos acreditar, enquanto indústria, que é a capacidade de pensar de forma criativa e original, empática e ética, disruptiva e inclusiva, que torna os seres humanos insubstituíveis na publicidade.

Na 13ª edição dos Prémios de Criatividade continuamos a avaliar e a distinguir os melhores trabalhos publicitários gerados por humanos empáticos, éticos e com pensamento crítico e estratégico.

Nesta edição, Alexandre Costeira (GR8), Américo Vizer (LLYC), Filipe Teotónio Pereira (Nova Expressão), Francisco Pedreira (Clube Recreativo), Ivo Purvis (Dentsu Creative Portugal), João Madeira (Fuel), Judite Mota (VML), Luís Lobato Almeida (Pingo Doce), Mário Patrocínio (Bro Cinema), Nuno Cardoso (Nossa), Nuno Miranda (DAZN), Pedro Morgado (Fullsix), Rita Amzalak (Havas Media), Rodrigo Silva Gomes (Lola Normajean) e Vasco Thomaz (Judas) são os humanos responsáveis pela avaliação dos trabalhos a concurso. Um dia teremos máquinas a avaliar a criatividade de máquinas? Que esse dia esteja longe.

A inteligência artificial não sabe transformar dados em histórias, nem conhecimento em emoções, mas analisa quantidades gigantescas de dados, identifica padrões e indica as opções mais certeiras em função desses padrões.

A criatividade humana tem a capacidade de gerar perceções, conectar ideias aparentemente desconexas e criar algo completamente novo e original. É capaz de pensar fora da caixa, encontrar soluções inovadoras e criar histórias que tocam o coração e o espírito, que constroem marcas e criam notoriedade.

É o que esperamos avaliar e distinguir nos trabalhos a concurso na 13a edição dos Prémios de Criatividade M&P, que se distribuem por 66 categorias, em 16 grandes áreas (Televisão/Cinema, Áudio, Imprensa, Outdoor, Digital, Ativação, Relações Públicas, Eventos, Marketing Relacional, Media, Sustentabilidade e Responsabilidade Social, Suporte Alternativo/Inovação, Ação Integrada, Mercados Internacionais e Mercados Lusófonos). Haverá espaço, no futuro mais ou menos longínquo, para termos uma categoria para trabalhos gerados por inteligência artificial? Chegará o dia.

Até lá, e até à revelação dos vencedores da 13ª edição dos Prémios de Criatividade M&P, recorde os vencedores dos últimos anos, e inscreva-se aqui.

Sobre o autorMeios & Publicidade

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Netflix lança plataforma própria de anúncios

Esta novidade foi avançada no Netflix Upfront 2024, apresentação formal do portefólio comercial da empresa, que decorreu a 15 de maio, em Nova Iorque. Evento em que a Netflix revelou, ainda, que o seu programa de anúncios tem agora 40 milhões de utilizadores mensais ativos em todo o mundo, em comparação com os 23 milhões registados em janeiro deste ano

A Netflix vai lançar a sua própria plataforma de anúncios, com o objetivo de ter tanto controlo sobre a tecnologia de publicidade como tem sobre a tecnologia de streaming. A nova plataforma proprietária da Netflix vai começar a ser testada no Canadá, ainda este ano, para ser lançada nos Estados Unidos no segundo trimestre de 2025, estando previsto o lançamento mundial para o final do próximo ano.

Esta novidade foi avançada no Netflix Upfront 2024, apresentação formal do portefólio comercial da empresa, que decorreu a 15 de maio, em Nova Iorque. Evento em que a Netflix revelou, ainda, que o seu programa de anúncios tem agora 40 milhões de utilizadores mensais ativos em todo o mundo, em comparação com os 23 milhões registados em janeiro deste ano.

Pretendendo tirar partido deste crescimento, a empresa demonstrou a intenção de diminuir a dependência do atual parceiro publicitário, a Microsoft, enquanto trabalha na criação da plataforma de anúncios própria.

A Netflix avança ainda que a The Trade Desk, a Display & Video 360 da Google e a Magnite são os novos parceiros programáticos da plataforma de streaming, em conjunto com a Microsoft.

A partir deste verão, a empresa disponibilizará a oferta publicitária através da Magnite, à qual os anunciantes podem aceder através da The Trade Desk ou da Display & Video 360. Atualmente, a Netflix apenas utiliza a Microsoft para vender anúncios de forma programática.

Na vertente da monitorização de resultados publicitários, a Netflix revela a entrada da iSpot.TV e da TVision enquanto parceiros, que se juntam à Affinity Solutions, DoubleVerify, EDO, Integral Ad Science, Kantar, Lucid, NCSolutions e Nielsen.

Para além das novidades publicitárias, a empresa aproveitou o Netflix Upfront 2024 para demonstrar as novidades da plataforma nas transmissões em direto, um formato que diversas plataformas de streaming têm vindo a incorporar no seu modelo de negócio.

Apesar deste ainda ser um segmento de negócio novo para a Netflix, a empresa tem vindo a explorar o formato, tendo estabelecido, recentemente, diversos acordos de transmissão de eventos desportivos, como o acordo de transmissão do jogo do dia de Natal, da National Football League, liga nacional de futebol americano, durante três anos, e o acordo de transmissão do WWE Raw, programa de televisão norte-americano de luta livre profissional, a partir de 2025.

Sobre o autorDaniel Monteiro Rahman

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Sofia Cartó preside a primeira associação de assuntos públicos e lobbying portuguesa

A PAPT, liderada por Sofia Cartó e tem Rita Serrabulho e Gonçalo Boavida como vice-presidentes, está a preparar um código de conduta. A nova organização é um dos novos membros da PACE, organização que agrega associações sectoriais de vários países europeus

Public Affairs Portugal (PAPT) é a denominação da primeira associação de assuntos públicos e lobbying portuguesa. A nova organização, presidida por Sofia Cartó, sócia-gerente da Loyal Ecosystem, tem como vice-presidentes a sócia-gerente da Political Intelligence Portugal Rita Serrabulho e o sócio da Lift Consulting Gonçalo Boavida. A mesa da assembleia geral é presidida por Gonçalo Almeida Simões, diretor-geral da Biond. Luís Rhodes Baião, diretor de assuntos públicos e governamentais da Association of the European Self-Care Industry (AESGP), é secretário da mesa da assembleia geral.

Além da Loyal Ecosystem, da Political Intelligence Portugal e da Lift Consulting, também a Atrevia integra a lista de fundadores da PAPT. Apesar de a organização, que está a preparar um código de conduta, ter sido apresentada a 16 de maio, só vai ter o site disponível no início de junho, apurou o M&P. “A PAPT reunirá organizações que se dedicam à atividade profissional de representação de interesses, próprios ou de terceiros, de origem portuguesa ou estrangeira, a operar no mercado nacional, assim como profissionais a título individual”, informa a associação em comunicado.

Membro da Public Affairs Community of Europe (PACE), a PAPT vai funcionar em estreita relação com a organização europeia, que agrega associações sectoriais de diferentes países europeus, na definição de normas uniformes e de linhas orientadoras comuns para garantir uma maior transparência no setor em todo o continente europeu. “O trabalho conjunto entre profissionais e organizações que se dedicam a este setor é determinante para a profissionalização e reconhecimento de uma atividade legítima e alinhada com as melhores práticas a nível europeu”, defende Sofia Cartó.

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M&P 957: Como Bernardo Almeida fatura €300 mil com o YouTube + Assédio sexual na publicidade + Especial Euro 2024

O percurso do criador de conteúdos Bernardo Almeida, que fatura €300 mil com o YouTube, os casos de assédio sexual na indústria da publicidade denunciados na conta de Instagram The F Side e um especial sobre os patrocínios ao Euro 2024 são alguns dos destaques

Na edição 957 do M&P, um dos mais antigos youtubers nacionais, Bernardo Almeida, partilha com Luis Batista Gonçalves o percurso que o leva a trocar a licenciatura em engenharia mecânica pela criação de conteúdos digitais para marcas, com os quais fatura €300 mil por ano.

Na crónica Costela de Adão? Não, Paula Cosme Pinto, escreve sobre a conta de Instagram The F Side que tem dado lugar de fala a mulheres que trabalham na indústria criativa em Portugal e denunciando casos de assédio e de abusos sexuais. Na Opinião, Pedro Simões Dias considera que as marcas de serviços estão em processo de extinção, enquanto João Paulo Luz diz que a atenção é a nova variável que todos perseguem.

No Especial Euro 2024, é dada a palavra a algumas das marcas patrocinadoras da seleção nacional, da Federação Portuguesa de Futebol ou do campeonato europeu de futebol.

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O que pode ler na edição 957 do M&P

O percurso do criador de conteúdos Bernardo Almeida, que fatura €300 mil com o YouTube, os casos de assédio sexual na indústria da publicidade denunciados na conta de Instagram The F Side e um especial sobre os patrocínios ao Euro 2024 são alguns dos destaques

Na edição 957 do M&P, um dos mais antigos youtubers nacionais, Bernardo Almeida, partilha com Luis Batista Gonçalves o percurso que o leva a trocar a licenciatura em engenharia mecânica pela criação de conteúdos digitais para marcas, com os quais fatura €300 mil por ano.

Na crónica Costela de Adão? Não, Paula Cosme Pinto, escreve sobre a conta de Instagram The F Side que tem dado lugar de fala a mulheres que trabalham na indústria criativa em Portugal e denunciando casos de assédio e de abusos sexuais. Na Opinião, Pedro Simões Dias considera que as marcas de serviços estão em processo de extinção, enquanto João Paulo Luz diz que a atenção é a nova variável que todos perseguem.

No Especial Euro 2024, é dada a palavra a algumas das marcas patrocinadoras da seleção nacional, da Federação Portuguesa de Futebol ou do campeonato europeu de futebol.

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Criatividade portuguesa premiada nos Adforum PHNX Awards 2024

A agência Cooprativa foi distinguida com Prata na categoria de Design: Brand Identity pelo projeto de rebranding que desenvolveu para a SPILM. A campanha Não Seja Bully De Bancada, que a Coming Soon criou para o IPDJ, conquistou um Bronze na cerimónia

A Cooprativa e a Coming Soon foram distinguidas no concurso de criatividade mundial Adforum PHNX Awards 2024, anunciados numa cerimónia transmitida online a 16 de maio. O júri, composto por um milhar de profissionais do setor provenientes dos quatro cantos do mundo, atribuiu um prémio Prata ao trabalho de renovação da identidade visual que a agência de Torres Vedras desenvolveu para a Sociedade Portuguesa Interdisciplinar do Laser Médico (SPILM), na categoria de Design: Brand Identity.

“Houve apenas um Ouro, o nosso Prata e um Bronze na categoria”, sublinha, em declarações ao M&P, André Sousa Moreira, sócio e diretor criativo da Cooprativa, visivelmente entusiasmado com a distinção. “O novo design da marca foi concebido tendo como inspiração a luz, especificamente o espetro visual composto por sete cores, que é utilizado em uma variedade de lasers médicos”, esclarece o responsável, que partilha a direção de arte com Simão Dias, motion designer do projeto premiado.

A Coming Soon venceu um prémio Bronze pela campanha Não Seja Bully De Bancada, criada para o  Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), na categoria Film: Creative idea. Com direção criativa de Marcelo Lourenço e Pedro Bexiga, também responsável pela direção de arte, o filme que a integra, com uma mensagem que pretende combater a intimidação e a violência no desporto, foi produzido pela Rocky Studios e realizado por Filipe Sampaio. A redação é de Marcelo Lourenço.

O júri dos Adforum PHNX Awards 2024 integrou três representantes portugueses. Além de Pedro Leal Almeida, fundador e diretor de comunicação do Leal Almeida Brand Studio, contou com a avaliação de José Vila Cardoso, CEO da Adso, agência de comunicação global sediada em Braga. Sávio Hatherly, diretor de arte sénior de O Escritório, foi outro dos jurados. As agências internacionais VCCP Madrid, Havas London, Critical Mass e VML Singapore e Wolf BCPP também figuram entre os premiados.

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Niu investe €1 milhão em estruturas de produção e negoceia regresso a Espanha

No ano em que a empresa que detém e lidera assinala 30 anos no mercado, Nuno Santana avança ao M&P que está focado em conseguir uma maior complementaridade e autonomia, desenvolvendo áreas difíceis e fulcrais nos projetos da Niu, como a serralharia e a carpintaria, que são críticas na empresa de eventos, ativações de marca, produção e marketing de compras, que o ano passado faturou €12 milhões

A Niu vai investir €1 milhão para reforçar a capacidade de produção. Com este investimento, a empresa de eventos, ativações de marca, produção e marketing de compras, que faturou €12 milhões o ano passado e €30,4 milhões entre 2020 e 2023, pretende tornar-se mais autossuficiente. “Estamos focados em conseguir uma complementaridade interna ainda maior, desenvolvendo áreas difíceis, mas que são fulcrais à implementação dos nossos projetos. Vamos investir em áreas técnicas, como a serralharia e a carpintaria que, não sendo muito sofisticadas, são muito críticas”, justifica, ao M&P, Nuno Santana, proprietário e CEO da Niu.

“Este investimento permite-nos fazer coisas diferenciadoras, senão estaremos sempre limitados. O setor da construção atravessa uma fase muito complexa, porque há défice de mão de obra”, sublinha o empresário, que, com esta aposta estratégica, tem a ambição de continuar a fazer crescer o negócio. “Nos últimos 15 anos, temos mantido sempre um intervalo de faturação entre os €7 milhões e os €9 milhões e, nos últimos dois anos, crescemos praticamente 25% em termos de valor acumulado”, revela o gestor.

Os próximos meses são de grande atividade. “Vamos fazer a Fan Zone do Euro 2024 na Cidade do Futebol, entre 14 de junho e 14 de julho, em Oeiras. Também vamos estar presentes em todos os grandes festivais. Estamos agora em negociações, a fechar o plano com as marcas. O stand da Heineken no Nos Alive já está adjudicado. Vamos estar seguramente no Rock in Rio, no Meo Marés Vivas e no Meo Kalorama, mas ainda não consigo avançar com que insígnias”, confidencia o empresário.

Atualmente, a ativação de marca e a organização de eventos é responsável por 50% do volume de faturação da Niu. O negócio da produção 2D e 3D representa 25%, tal como o de marketing de compras, uma área que tem vindo a crescer.

“Somos uma empresa de serviço a clientes. Tão depressa estamos a fazer um jantar para cinco mil pessoas no Meo Arena como estamos a inaugurar uma loja criada e produzida por nós num centro comercial como o Ubbo. Como nascemos da produção, temos muitos ativos internos e somos relativamente autossuficientes”, sustenta Nuno Santana.

O CEO da Niu salienta os 4.000 m2 de área, na sede da empresa em Alfragide, que tem disponíveis para criar, desenhar, produzir e implementar ações para stands de festivais, congressos, lojas e grandes eventos de rua, como o Wonderland Lisboa, que regressa este ano para a oitava edição.

Promovido em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa e com a Media Capital, desde 2016, o Wonderland Lisboa é um dos eventos com maior visibilidade mediática que a Niu organiza e que, entre 30 de novembro de 2023 e 8 de janeiro de 2024, teve 852 mil visitantes. Jogos Santa Casa, Coca-Cola, McDonald’s, Licor Beirão e TVI são algumas das insígnias que se têm associado à iniciativa.

“Uma das formas de retribuirmos o investimento que as marcas fazem em nós é através das ativações que fazemos. Comunicamos e amplificamos também muitas dessas insígnias, através dos media e das redes sociais”, sublinha o empresário.

Com audiências cada vez mais diferenciadas, segmentadas e dispersas por plataformas distintas, criar e desenvolver eventos, ativações e comunicações que envolvam os consumidores é, nos dias de hoje, uma tarefa mais desafiante.

“Temos uma área que só pensa nisso, que é a área de ambientes, liderada pela minha irmã Joana [Santana]. Quando desenvolvemos um evento, há a preocupação de ver como será visível nas redes sociais. Temos um projeto, que por acaso é nosso, que é o Praia no Parque, em que a última renovação estética que a Niu lhe fez funcionou muito bem no digital”, admite o também cofundador do Grupo Praia e acionista da Media Capital.

“Vivemos no mundo físico a pensar para o digital. Mesmo em pequenas apresentações, temos sempre âncoras cénicas que amplificam essa divulgação. Começámos a produzir néones nos últimos três anos porque são elementos muito fáceis de amplificar. As pessoas veem-nos e têm tendência a fotografá-los”, afiança.

A diferenciação avera-se crucial, principalmente num mercado pequeno como o português. “Temos um grande laboratório comportamental que são os restaurantes do Grupo Praia. Os frequentadores do Praia no Parque, por exemplo, têm perfis muito diferentes. Ao almoço, temos os empresários e os decisores. Ao jantar, durante a semana, temos os turistas. Ao fim de semana, temos a geração Y e as pessoas que gostam de festas. Conseguimos mapear os comportamentos e oferecer uma proposta diferenciada”, assegura Nuno Santana.

A evolução do negócio

Na génese da Niu está a Sistemas Rafael, uma empresa espanhola especializada em pós-produção de imagem que, quando decidiu investir em Portugal, em 1994, desafiou José Santana a dirigir a operação nacional. Hoje afastado do negócio, o pai de Nuno Santana, que foi durante duas décadas relações públicas da Mercedes-Benz, aceitou o repto. Em 1996, é contactado pela Euro RSCG, que em 2012 se viria a transformar na Havas Worldwide, por causa da campanha publicitária que a agência estava a desenvolver para promover a Expo 98.

Na altura em que gravaram o filme que mostrava bebés a nadar debaixo de água, a produtora londrina que o produzia esqueceu-se de os fotografar para os anúncios de imprensa e para os materiais promocionais impressos. “Solucionámos o problema. Fomos a Londres digitalizar um fotograma e fizemos a pós-produção com base nele. Foi um sucesso. A partir daí, começámos a trabalhar com a Euro RSCG. Foi um cliente estratégico para nós”, recorda Nuno Santana.

Em 1997, a Sistemas Rafael passa também a disponibilizar um serviço de processamento de cor para fotolitos. “Era a sequência lógica”, considera. Em 1999, com o crescimento do negócio e a evolução tecnológica, a empresa abre o primeiro estúdio de fotografia digital da Península Ibérica. “Ninguém, na altura, acreditava nisto. Os próprios fotógrafos eram muito céticos. E eram investimentos completamente loucos para a altura. Uma máquina podia custar facilmente €100 mil e fazia fotos de 16 megabytes. Hoje, um telefone tira fotografias com 100 megabytes”, relembra.

2002 é um ano de viragem, com a Sistemas Rafael a deixar de trabalhar apenas com agências de publicidade para começar a produzir materiais promocionais para pontos de venda e a esboçar as primeiras ativações para marcas. É nessa fase que a Coca-Cola a desafia a decorar os espaços da insígnia nos estádios construídos para o UEFA Euro 2004. “Ficaram muito bem impressionados. Ainda hoje são um dos nossos principais clientes”, conta Nuno Santana.

Pouco depois, são desafiados pela Sagres e pela Portugal Telecom a desenvolver projetos estéticos para o SL Benfica. “O Miguel Arruda, que foi o arquiteto do novo Estádio da Luz, pediu-nos para desenvolvermos uma ativação para o dia da inauguração”, recorda Nuno Santana. A parceria estabelecida com a Rank Xerox permitiu imprimir postais com fotografias do jogo inaugural e distribuí-las pelos espetadores minutos depois, com 50 promotores a entrar nas bancadas para as entregar.

Outro momento decisivo foi o Mega Pic-Nic Continente, que a futura Niu também viria a dinamizar ao longo das seis edições do evento. “Fomos dando resposta aos desafios que nos foram sendo feitos. Demos pulos em grandes momentos, como a Expo 98 e o Euro 2004, mas, curiosamente, nunca como organizadores de eventos. Hoje, são o nosso core”, sublinha.

Operação em Espanha dependente das negociações em curso

O dinamismo da Sistemas Rafael em Portugal acaba por levar a empresa a ser selecionada pela Coca-Cola para participar no reposicionamento mundial da insígnia, iniciado em março de 2006 com a campanha publicitária Coke Side of Life. Numa reunião, em Espanha, a proposta portuguesa vence um concurso interno, mas o nome da empresa suscita dúvidas.

“Decidimos então criar a marca Niu, que chega ao mercado a 21 de junho de 2007. Nasce aí a nossa fase 2.0 e, em breve, vamos apresentar um racional que sustente a nossa entrada na fase 3.0, mas ainda não posso falar sobre isso”, ressalva Nuno Santana.

Todavia, nem tudo foram rosas ao longo do percurso. “Houve alturas em que perdemos dois ou três clientes grandes e em que achei que o mundo ia acabar. Hoje, olho para trás e percebo que esses foram momentos de transformação do negócio”, desabafa, enaltecendo a capacidade de resiliência da equipa e o elevado nível de retenção de funcionários.

A pandemia, em 2020, foi outro teste. “Apesar de ter sido um processo muito doloroso, não deixámos sair ninguém. Mantivemos os 70 colaboradores. Houve, inclusive, pessoas que passaram para os quadros a meio do surto. Tivemos algum sangue-frio para percebermos que isto iria passar e que os eventos iriam regressar. Quando a economia abriu, nós estávamos preparados e com capacidade de resposta, ao contrário de outras empresas que tinham diminuído muito as equipas”, sublinha.

A operação da Niu em Espanha, alavancada a partir de 2006, acaba, todavia, por ser afetada pelo surto viral que confinou o mundo. “A pandemia obrigou-nos a focar no mercado nacional e a suspender o processo de expansão em território espanhol. Estamos, neste momento, em negociações com um grande grupo para o retomar, mas nesta fase ainda não posso adiantar mais informação”, admite Nuno Santana.

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New in Town regressa à CNN Portugal com Sara Sousa Pinto na apresentação

Sara Sousa Pinto é a nova apresentadora de New in Town. O programa produzido pela NiT regressa à antena da CNN Portugal no próximo sábado, 18 de maio. Os vídeos do formato são disponibilizados na plataforma NiTtv e nas redes sociais da marca da MadMen

O programa New in Town, produzido pela NiT, regressa à antena da CNN Portugal, no dia 18 de maio, sábado, com Sara Sousa Pinto na apresentação, confirmou ao M&P Jaime Martins Alberto, diretor-geral da MadMen, empresa que detém a marca. Para além da antiga pivô de Esta Manhã, programa matinal diário da TVI que foi suspenso no início do ano, a versão televisiva da publicação digital de lifestyle conta com a participação de Sara Ribeiro, Marcos Pinto e Miguel Lambertini.

“O desafio da NiT é diferente porque não é em direto. Acabo por ter um papel diferente e a oportunidade de crescer na área do lifestyle. Vou ter uma linguagem diferente e isto acaba por me desafiar”, afirmou Sara Sousa Pinto nas primeiras declarações públicas que fez sobre o projeto, em entrevista à NiT. Também disponíveis na plataforma NiTtv e nas redes sociais da NiT, YouTube e Instagram, os vídeos do programa New in Town integram um código QR que remete para o site da NiT.

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