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Trabalhadores do RCP classificam de “pouco transparente” o despedimento

22 de Julho de 2010 às 00:05:05, por Ana Marcela

“Um despedimento injusto, uma descontinuação questionável, um processo pouco transparente” é a forma como os trabalhadores do recém-encerrado Rádio Clube Português (RCP) classificaram o despedimento que afectou 36 colaboradores e o fecho da estação da Media Capital Rádios num manifesto entregue aos grupos parlamentares.

Os trabalhadores questionam o timing do anúncio do encerramento da estação de palavra pela MCR que, “dois dias antes de dizer ao mercado que as receitas publicitárias estão a subir, anunciou o fecho da rádio e o despedimento de 36 pessoas, alegando que os prejuízos são muitos e o mercado publicitário está em crise”. “Afinal, o fecho do Rádio Clube é uma medida de gestão, à luz das condições do mercado, ou há outras razões, relacionadas com futuras movimentações accionistas?”, perguntam.

O encerramento da estação, dizem, “deixa um vazio no espaço radiofónico português”. “As rádios apostam cada vez mais na música (nas mesmas músicas), e menos na palavra. Por muito que se procure, não há nada na Lei da Rádio que diga que é interesse do Estado português, detentor do espaço radioeléctrico, que esse bem público seja utilizado para difundir apenas música. Mas é isso que está a ser praticado”, alertam.

No manifesto os trabalhadores afirmam que “ao longo do último ano, a Media Capital Rádios tudo fez para silenciar o Rádio Clube”: “Primeiro, despediu pessoas, porque a crise nas receitas publicitárias não deixava outro remédio”, depois “o director da rádio, e criador do projecto”, além disso “ignorou propostas de anunciantes de relevo, até em termos financeiros, feitas pelos colaboradores”, alterou “a programação no sentido de gradualmente reduzir a palavra e aumentar a presença musical “ e, por fim, “retirou a rede de frequências que permitia que a rádio fosse ouvida em metade do território continental português”, enumeram.

Mais, os colaboradores relembram que o encerramento do Rádio Clube tem também impacto na informação das restantes estações da MCR, que passa a contar com menos 36 profissionais na elaboração dos noticiários, além de que “os noticiários do Rádio Clube e alguns excertos das emissões eram regularmente distribuídos e radiodifundidos por várias estações de todo o país (incluindo Açores) com as quais a Media Capital Rádios fez acordos”.