O director do Sol admitiu hoje que já esperava a decisão do Ministério Público de acusar vários elementos do semanário por alegada violação do segredo de justiça ao divulgar escutas no âmbito do processo Face Oculta.
O semanário divulgou na segunda-feira que o Ministério Público “acusou quatro jornalistas do Sol, o subdirector Vítor Rainho e a advogada que representa o jornal, Fátima Esteves”, por “crime de violação do segredo de justiça”. Segundo o site do jornal, a acusação tem como base as notícias sobre o processo Face Oculta “que causaram forte perturbação na investigação”.
No início deste ano, o jornal publicou diversos trechos de escutas relativas ao caso Face Oculta, que investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas do sector empresarial do Estado e empresas privadas. “Já esperávamos que isto acontecesse”, frisou à Lusa José António Saraiva, alegando que, “a partir do momento em que [o Sol] foi o primeiro jornal a trazer escutas, é muito fácil fazer essa ligação”. Também por isso, o Sol tomou “algumas precauções”, nomeadamente “uma defesa bastante consistente” da posição do semanário, frisou o director, lembrando que o subdirector Vítor Rainho se constituiu como assistente no processo. Para Saraiva, todas as decisões judiciais sobre o caso têm sido tomadas “com muita celeridade” o que também não surpreende o jornalista. “É evidente, quer para mim quer para todos, que é um processo que andou com muito mais rapidez na justiça portuguesa, mas também não seria delicado extrair daí outro tipo de conclusões que não apenas uma constatação”, assinala.
(Lusa)