‘Os nossos títulos têm ciclos de vida muito amplos’

Por a 21 de Maio de 2010

Carros e Princesas são os próximos títulos com chancela da Disney a chegar este mês ao mercado português, através da Goody. Em entrevista por e-mail ao M&P, Carmen Olivié, vice-presidente das publicações Walt Disney Company Ibéria, fala da relação da marca com o mercado editorial português, onde a empresa tem vindo a trabalhar embora sem ser em regime de exclusividade. “A Disney trabalha com os melhores editores em cada país e o portfólio é amplo para satisfazer as necessidades de mais do que um licenciado”, argumenta a responsável.

Meios & Publicidade (M&P): Depois de Hannah Montana, este mês regressam às bancas com Carros e Princesas. É o regresso em força da Disney ao mercado editorial português depois do fim em Janeiro do ano passado dos títulos da Disney editados pela Impresa Publishing, a Disney Princesas e Witch?

Carmen Olivié (CO): A maioria das marcas ou franquias da Disney têm duas grandes virtudes: a sua intemporalidade e flexibilidade. A essência dos nossos conteúdos interessam aos meninos e meninas de todos os tempos, pois baseiam-se em valores intemporais que se vão adaptando à evolução dos gostos e necessidades dos nossos leitores. Para efeitos da execução da licença a nível territorial, sentimo-nos orgulhosos de trabalhar sempre com os melhores editores em qualquer etapa, antes e agora.

M&P: Princesas era uma franquia editada pela Impresa Publishing. Na época o grupo justificava o fim com “as novas escolhas de lazer das crianças que hoje têm uma oferta muito mais variada de conteúdos”. Estão reunidas as condições para o título ter maior receptividade junto do seu target?

CO: Os nossos títulos evoluem e adaptam-se aos nossos consumidores, portanto têm ciclos de vida muito amplos. Princesas é um claro exemplo. A revista também o reflecte, pois não só oferece uma grande variedade de temas, leituras e jogos, como, seguindo a estratégia geral da empresa, incorporamos novas temáticas e personagens como é o caso de Tiana e em breve Rapunzel. O que não muda é a forte essência da franquia Princesas, que convida as meninas a desenvolver a sua imaginação e a brincar que são uma das suas heroínas preferidas.

M&P: Carros dirige-se a um público-alvo masculino entre os 5 e os 8 anos. Um target que os editores admitem não ser fácil de conquistar. Porquê esta opção e que expectativas tem para a receptividade da revista no público-alvo?

CO: É certo que o segmento de revistas para leitores meninos destas idades é complexo, mas não é impossível quando se conta com personagens com que o target se identifica tão fortemente. A proposta de Carros está cheia de acção, velocidade, aventura, jogos, humor e um sem fim de personagens distintos, cada qual com uma personalidade marcada e que fazem as delícias dos meninos.

M&P: No mercado português na área editorial também trabalham com a Zero a Oito, que em Maio do ano passado avançou com Winnie the Pooh. O facto destes próximos lançamentos, que se juntam a Hannah Montana e alguns one-shots como Wall.E, Bolt e A Princesa e o Sapo, ocorrerem com a Goody significa que pretendem concentrar nessa editora a operação editorial no mercado português?

CO: A Disney trabalha com os melhores editores em cada país e o portfólio é amplo para satisfazer as necessidades de mais do que um licenciado. Neste momento a Goody está a apostar muito fortemente na Disney, mas isso não significa que trabalhemos em exclusivo no mercado.

M&P: Diz que “a cultura e estratégia” da Walt Disney Company Ibéria são “100 por cento ibéricas”. Do vasto portfólio Disney qual aquele que considera que mais se adequa à realidade ibérica e à portuguesa em concreto?

CO: As propriedades Disney e, por conseguinte as revistas Disney, têm um espectro muito global e estão concebidas para agradar a todos os leitores com uma base cultural muito diversa. Não obstante, e graças de novo à experiência e muito bom fazer dos novos licenciados em Portugal, podemos dizer com satisfação que a adequação das nossas publicações às necessidades do leitor português está mais do que garantida.

M&P: A Disney comprou em Agosto do ano passado por 4 mil milhões de dólares a Marvel. Esse porfólio faz parte também da carteira da Walt Disney Company Ibéria? Há planos para dinamizar esse portfólio no mercado português?

CO. Sim. A nossa missão é desenvolver ao máximo as possibilidades da Marvel dando seguimento a esta brilhante decisão. As possibilidades são inúmeras mas temos de ser sempre fiéis à essência dos seus conteúdos, personagens e argumentos. Nestes meses temos estado a conhecer a fundo a marca e as suas personagens. Decisões sobre contratos não serão tomadas neste momento antes da compra entrar em vigor.

M&P: O segmento de imprensa infanto-juvenil sofreu o ano passado quebras em termos de vendas em banca, talvez resultante de alguma contenção dos gastos das famílias com esse tipo de produtos. Como é que perspectiva a evolução do segmento este ano?

CO: A evolução económica tem vindo a impactar negativamente o canal desde 2008. O ano de 2010 continuará a ser difícil e sujeito às limitações de consumo das famílias. Nesse contexto, cabe, apesar de tudo, a criatividade e a inovação. Há que ser prudente mas seguir apostando para oferecer o melhor produto aos nossos leitores.

M&P: Dada a mudança dos hábitos de consumo de media das crianças onde o digital tem um peso cada vez maior, qual a estratégia da empresa para os chamados new media?

CO: Toda a indústria editorial está a definir o novo paradigma, que passa pelo digital sem abandonar os suportes tradicionais para livros e revistas. A Disney Publishing é pioneira no campo digital com os seus novos projectos Disney Digibooks e Disney Digicomics.

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