A década do Brasil

Por a 28 de Maio de 2010

No último fim-de-semana um amiga falava-me sobre os planos que tinha para se mudar durante o próximo ano para o Brasil. Trabalha numa multinacional em Madrid e, apesar de não estar entre as vítimas da crise espanhola, constata que, em termos profissionais, já não tem muito mais para fazer por estes lados. “Na Ibéria temos uma base de clientes que não vai crescer e vamos passar os próximos anos apenas a negociar preços”, dizia. Os desafios parecem estar do outro lado do Atlântico. O Brasil é já a oitava maior economia do mundo e o Mundial de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 vão servir para que o país possa dar a conhecer outras facetas que não as praias, o futebol, o Carnaval e as telenovelas. As principais revistas do mundo estão a antecipar-se nesse trabalho. Nessas páginas fala-se do petróleo, da indústria aérea, da diplomacia, do design, de moda, de cultura popular e, claro, de Lula da Silva. O chefe de Estado brasileiro percebeu que tinha de ser também chief marketing officer. É ele o ponta-de-lança da promoção do país. Barack Obama já o descreveu como o político mais popular da Terra, enquanto o jornal israelita Haaretz considerou-o o Profeta do Diálogo. Lula, O Filho do Brasil (tal como o filme que conta a história da sua vida), chorou quando a cidade do Rio foi escolhida como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 e logo todos percebemos que os brasileiros iriam fazer todos os possíveis para estar à altura daquilo que o momento exige. Em fim de mandato, vale a pena sublinhar a transformação que Lula conseguiu impulsionar no país ao tirar milhões de pessoas da pobreza. Este elogio é ainda mais importante quando se prevêem, nos próximos meses, duros cortes na base do estado social português. Esta será a década do Brasil e mais uma década perdida para Portugal. Pelo menos que sirva para que as empresas portuguesas tenham força para entrar nesse mercado de milhões.

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