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Edição Impressa, Opinião, Opinião :: Cronistas

Ouve-se na rádio, comenta-se no Facebook, vê-se no Youtube…

7 de Maio de 2010 às 05:46:11, por Meios & Publicidade

António Mendes – director da RFM

Ando a ler um livro bastante interessante. É de Henry Jenkins, fundador e director do Centro de Estudos de Media Comparativos do MIT, e chama-se Convergence Culture: Where Old and New Media Collide (NYU Press: New York). Jenkins refuta a ideia querida, mas já ultrapassada, dos gurus da revolução digital de que os novos media vão substituir os tradicionais, propondo a ideia de que irão antes conviver numa complexa rede de relações entre si, suportada naquilo que chama de convergência cultural.

O conceito é giro. Uma das ideias base é a de que não existe uma convergência tecnológica, que resulta em coisas tipo comando remoto universal que concentra milhares de funções num aparelho único, mas uma convergência cultural que redesenha as relações entre audiências, produtores e conteúdos. Esta mudança cultural é claramente marcada pelos consumidores que passam a ser contribuintes activos no desenvolvimento e produção de conteúdos. Jenkins dá exemplos da forma como audiências se envolveram activamente na criação de conteúdos e amplificação do sucesso de produtos como Survivor, The Matrix ou American Idol.

O tempo vai passando e os factos começam a provar a teoria de Jenkins. Na semana passada, a Marktest publicou o relatório “10 anos de audiências”. Os dados do Bareme Rádio da última década mostram a rádio como um meio com as audiências perfeitamente estáveis.

Mas Jenkins também afirma que as velhas fronteiras entre os media se estão a desvanecer. E isso também estamos a sentir. A RFM e a LG estão a desenvolver É o Desafio RFM/LG, uma acção conjunta de procura de um novo vocalista para a banda Fingertips. Esta acção tem proporcionado uma série de conteúdos aúdio e vídeo que se espalham pela rádio FM, sítios na Internet e comunidades virtuais. Mas lá está. O que é interessante aqui são os inputs que os participantes, fãs, ouvintes, clientes, vão dando nas redes virtuais. Ouve-se na rádio, comenta-se no Facebook, vê-se no Youtube, diz-se na rádio. Nós e eles vamos construindo uma acção em interacção. Para o final, esperamos encontrar o (a) melhor vocalista para os Fingertips. A tempo de ensaiar para a primeira actuação no Rock in Rio Lisboa 2010.