Design Thinking para Lisboa!

Por a 23 de Abril de 2010

Pedro Albuquerque – Designer partner da Albuquerque Designing Business

O âmbito de intervenção do design tem-se circunscrito ao universo do branding, da comunicação, dos produtos e dos espaços. Mas, eis que se começa a falar em transformar as cidades e os países através dele. Bill Moggridge, co-fundador da IDEO, o designer do primeiro laptop da história, refere na revista Wired, número de Dezembro de 2009, que a IDEO foi consultada pela Casa Branca, já no mandato de Barack Obama, para ajudar a revigorar o serviço público americano; pelo governo da Islândia para ajudar o país a inovar uma forma de sair da crise financeira; pela Kellogg Foundation para reinventar a educação. Isto revela uma nova percepção sobre o poder que o design thinking tem na transformação de negócios, sistemas sociais, cidades e estilos de vida. De qualquer modo, este novo paradigma determinou uma reforma no próprio design, deixou de ser um domínio exclusivo dos designers para passar a ser participado por profissionais de outras áreas de competência. Deixou de ter uma predominância visual e formal para assumir uma dimensão multissensorial e comportamental.

O design aborda os processos conciliando o cálculo e a forma, a razão e a emoção, o complexo e o simples, as maiorias e as minorias. O design não tem uma cultura average própria do marketing, centrada no consumidor dominante. Procura antes a solução ideal que resolva o problema de 5 por cento da população, com a mesma determinação, e sem incompatibilidades, com que o faz para os restantes 95. A natureza humana é complexa e diversificada e é com base neste pressuposto que o design actua, vendo aquilo que as pessoas não mostram, ouvindo aquilo que as pessoas não dizem. O designer quer os cidadãos que dependam de cadeira-de-rodas a circular pelas ruas da cidade (se não os virmos, é mau sinal), tal como quer divas a caminhar de salto-alto, sem o sobressalto de um stiletto preso num buraco do passeio.

Este Inverno foi especialmente duro para os sem-abrigo, como são um minoria esquecida, fingimos não os ver num qualquer canto da cidade, encolhidos pelo frio, chuva e vento. Mas também sabemos que muitos deles perderam o rumo e, em muitos casos, não têm discernimento para aproveitar uma oportunidade de integração social. Eis um problema passível de design thinking, pois, ao que podemos constatar, todos os outros métodos ainda não o resolveram.

Os representantes da Câmara Municipal de Lisboa ficam bem na fotografia da Moda Lisboa ou nas inaugurações de exposições no Museu MUDE, como bons promotores do design, mas, na verdade, estão longe de o integrar na resolução diária dos problemas e desafios que afectam as pessoas que vivem, ou visitam a cidade.

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