O ex-presidente da PT Meios, responsável durante mais de três anos pela publicidade da Portugal Telecom, disse ontem na comissão de inquérito que, na sua altura, “houve uma ou duas tentativas para cortar publicidade a este ou aquele órgão”. “Houve uma ou duas tentativas através de recados indirectos para cortar publicidade a este ou aquele órgão de comunicação social”, disse Carlos Barbosa, adiantando que imediatamente participou o caso ao então presidente da comissão executiva, Miguel Horta e Costa, tendo tido o seu “apoio inequívoco”. “Sempre houve tentativas indirectas de poder cortar aqui ou acolá, mas nunca dei ouvidos”, disse. Como exemplo, Carlos Barbosa revelou que, na altura em que nasceu o jornal Sol, já depois de ter saído da PT, houve “uma ordem directa de Henrique Granadeiro para a equipa da PT Meios apoiar o nascimento do jornal”. No entanto, adiantou, “um ano depois, Henrique Granadeiro deu ordens expressas para que cortassem a publicidade ao Sol e ao Expresso”, acrescentou. Questionado pelo deputado do CDS-PP João Almeida, o agora presidente do ACP considerou que essas ordens “não são normais” e “são impensáveis” e garantiu que, como responsável, nunca permitiu tal coisa.
O actual presidente do Automóvel Clube de Portugal, que foi responsável pelas compras de publicidade da PT, está a ser ouvido na comissão parlamentar de inquérito a pedido do CDS/PP. A audição foi marcada depois do ex-administrador da Portugal Telecom (PT) Rui Pedro Soares ter dito, na comissão de Ética, que em 2005, quando foi administrador da PT Compras, “quem tutelava as compras de publicidade nas televisões e jornais era o dr. Carlos Barbosa”. O ex-administrador da PT garantiu aos deputados nunca ter tido qualquer responsabilidade sobre a publicidade feita pela operadora, apesar de ter sido administrador executivo da PT Compras em 2005.
A comissão foi criada por iniciativa do BE e do PSD e visa apurar se o Governo interveio na tentativa de compra da TVI, detida pela Media Capital, pela PT, e ainda se José Sócrates mentiu ao Parlamento quando afirmou que desconhecia o negócio. No entanto, a alegada intervenção do Governo na comunicação social terá abrangido também, segundo um artigo publicado em Novembro pela revista Sábado, os investimentos publicitários. De acordo com a revista, houve discriminação por parte do Governo, organismos públicos e empresas geridas pelo Estado na distribuição de publicidade institucional a jornais nacionais que publicaram notícias desfavoráveis ao executivo.
(Lusa)