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AR: Santos Silva diz que a Lei da Concentração teria impedido fim do Jornal Nacional de Sexta

7 de Abril de 2010 às 00:00:53, por Ana Marcela

Houvesse a Lei da Concentração a administração da TVI não teria suspendido o Jornal Nacional de Sexta. É pelo menos esta a convicção de Augusto Santos Silva, actual ministro da Defesa e antigo ministro dos Assuntos Parlamentares. O diploma, chumbado por duas vezes pelo Presidente da República, relembrou ontem o responsável pela pasta da comunicação social perante a comissão parlamentar de Ética, previa que as administrações dos grupos de media não podiam intervir em decisões editoriais “como aconteceu na TVI”. O chumbo da Lei frisa ainda faz com que se continue a desconhecer quem são os proprietários de comunicação social em Portugal. “Quem são os donos de um dos maiores semanários nacionais? Compreende-se não sabermos responder a isto em 2010? Numa democracia europeia?”, questionou.

Sobre o caso TVI, Santos Silva afirmou ainda que nunca se pronunciou como ministro sobre o cancelamento do bloco noticioso apresentado por Manuela Moura Guedes, mas apenas como dirigente socialista. “Nunca me pronunciei como ministro sobre o cancelamento do jornal, o que fiz foi, como dirigente do PS, uma conferência de imprensa a exprimir a minha posição. Aquela decisão prejudicava o PS no contexto em que tinha sido tomada, em período pré-eleitoral”, afirmou. O governo também não tinha conhecimento da intenção da Portugal Telecom de comprar uma participação no grupo proprietário da TVI, assegura, mas admite que conhecia a intenção dos operadores de telecomunicações de entrar na área dos conteúdos. “Todos sabiam”, disse, referindo que o racional económico dessa intenção “é compreensível”.

Santos Silva também defendeu que “não há nenhuma evidência que algum órgão de comunicação social tenha sido prejudicado ou beneficiado em Portugal [através da publicidade]”, quando questionado pelos deputados relativamente à possibilidade de alguns órgãos de comunicação social terem sido prejudicados em questões de publicidade por empresas públicas, como denunciava a revista Sábado.

(com Lusa)