O último ano não foi nada meigo para os grandes grupos de comunicação e prova disso são os resultados financeiros referentes a 2009, entretanto apresentados. A Havas divulgou esta quarta-feira os seus números. A facturação situou-se nos 1.441 milhões de euros (-7,9 por cento que em 2008), enquanto os lucros contraíram 11 por cento para os 92 milhões de euros. Vincent Bolloré, chairman da Havas, referiu em entrevista ao Le Figaro que o grupo francês pode continuar a crescer sem concretizar grandes aquisições, numa referência à antiga vontade de comprar a Aegis, onde Bolloré detém 30 por cento. “A Havas não precisa da Aegis para se desenvolver. Não sei se funcionariam bem juntas, a resposta não está nas minhas mãos”, referiu Bolloré, que, a propósito da Aegis, referiu estar satisfeito com “os resultados e com a nova gestão”. Do outro lado do Canal da Mancha, a Aegis, concentrada principalmente no negócio da media, apresentou em 2009 uma facturação de 1,50 mil milhões de euros e uns lucros para os seus accionistas na ordem dos 69,7 milhões.
O principal grupo de comunicação do mundo continua a ser a WPP, liderando em termos de facturação e de lucros. O grupo de Martin Sorrell obteve uma facturação de 14,5 mil milhões de euros (-8,1 por cento face a 2008) e lucros de 903 milhões (-16 por cento). O número dois, o norte-americano Omnicom, totalizou uma facturação de 15,83 mil milhões euros (-12,3 por cento) e lucros de 586 milhões de euros (-20,7 por cento). Mas é entre a Interpublic e a Publicis que tem decorrido uma disputa taco-a-taco, com o grupo francês a apresentar os maiores lucros e facturação (403 milhões e 4,46 mil milhões de euros) em comparação com o gigante norte-americano (252 milhões e 4,52 mil milhões). Foi a primeira vez que a Publicis conseguiu entrar no pódio dos conglomerados de comunicação.
“2009 foi um ano muito dificil em termos de remuneração, com os clientes a pressionarem muito os preços”, admitiu Michael Roth, CEO do grupo Interpublic, que sustenta que o “impacto da recessão na actividade da Interpublic passou”. Entretanto, o grupo Publicis anunciou que tem 380 milhões de euros para fazer aquisições. “Estamos numa situação financeira sólida e podemos encontrar um conjunto de operações de pequena e média dimensão”, referiu o CEO da Publicis, Maurice Levy. À partida, a prioridade são agências digitais ou então empresas localizadas em mercados emergentes. No entanto, Martin Sorrell já tinha dito publicamente no início deste mês que a Publicis estava interessada em comprar a Interpublic, um rumor que, aliás, já tem mais de cinco anos. “O meu concorrente gostava de casar a Publicis com a Interpublic, talvez porque tenha muito tempo livre e o seu negócio não o mantenha ocupado”, contestou Levy.