O presidente da Ongoing acusou ontem na comissão de Ética da Assembleia da República a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) de ter manipulado o mercado de capitais ao impor a venda da participação do grupo na Impresa para comprar parte da Media Capital.
“Fizemos o acordo com o grupo Prisa em Setembro e a ERC só tomou a decisão em Janeiro”, relembrou Nuno Vasconcelos afirmando que a Ongoing já estava a negociar a venda da sua participação na Impresa, negócio que ficou suspenso porque o comprador ficou a aguardar “ao saber que tinha de ser vendida até 31 de Março”. Situação que, diz o presidente da Ongoing, deixou o grupo “numa posição muito delicada”, considerando tratar-se de uma “manipulação do mercado de capitais” e defendendo a necessidade de a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) “se pronunciar”.
A recente mudança na estrutura accionista ocorrida na Prisa (grupo que controla a Media Capital) também suscitou comentários de Nuno Vasconcellos que considerou o negócio “outro fenómeno” levando o grupo a deixar “em ponderação” a entrada no capital da TVI.
“A Prisa vai entrar no fundo Liberty [que adquiriu mais de 50 por cento da Media Capital]. Fiz o acordo tendo em conta que a família Polanco mantinha a maioria na Prisa. Não gosto que me mudem as regras a meio do jogo”, afirmou, acrescentando que este é um caso “grave, sério e complexo”.
… e nega conversas com o Governos sobre a comunicação social
“Nunca tive nenhuma conversa com o Governo [sobre comunicação social], tive algumas conversas com o ministro da tutela sobre telecomunicações, mas nunca sobre media”, afirmou o presidente da Ongoing.
“Qualquer coisa que eu diga, os senhores deputados podem acreditar ou não mas nós não dependemos de ninguém”, disse, frisando que a Ongoing “é dos poucos grupos em Portugal – e o único de media – que não tem conta aberta da CGD”.
“Não recebemos nenhum financiamento do Estado, nem um cêntimo”, frisou.
(com Lusa)