O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa (PS), recusou ontem ter exercido qualquer “pressão” sobre a administração da TVI, argumentando que limitou-se a “protestar contra uma peça que era difamatória”.
O autarca da capital classificou de “absolutamente extraordinárias” as acusações do ex-director da TVI José Eduardo Moniz segundo as quais teria ligado para o administrador da Media Capital Miguel Gil, fazendo “enormes pressões” e exigindo que uma peça não passasse pois estava alegadamente cheia de incorrecções.
“São declarações absolutamente extraordinárias. Não pressionei administração nenhuma para não emitir nenhuma peça e não era ministro na altura, era presidente de Câmara. Limitei-me a protestar contra uma peça que era difamatória”, disse António Costa aos jornalistas, à margem da conferência de imprensa que se seguiu à reunião do executivo municipal.
“Se o senhor José Eduardo Moniz considera uma pressão o exercício dos direitos das pessoas, então está tudo dito sobre ele e sobre o que ele pensa da vida em sociedade”, sustentou.
António Costa acrescentou ter, na sequência da emissão da peça, exercido “direito de resposta” e ter apresentado uma “queixa-crime” contra um conjunto de jornalistas e responsáveis da TVI, em relação à qual o Ministério Público já deduziu acusação.
Há ainda um processo cível a correr, com um pedido de indemnização, informou.
Em causa está uma notícia sobre o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP).
Segundo José Eduardo Moniz, mesmo depois de ter falado com a jornalista e de ter visionado a peça, confirmando que era credível, Miguel Gil decidiu encontrar-se com António Costa, continuando este a insistir na não divulgação da peça com base em documentos fornecidos por António Costa.
Contudo, adiantou, os documentos fornecidos já tinham sido analisados pela jornalista no início da sua investigação.
(Lusa)