O ex-director da TVI, Eduardo Moniz, disse hoje acreditar que houve um plano do Governo para condicionar a actuação de alguns meios de informação, de empresários e de jornalistas.
“Sim, houve um plano”, disse Moniz aos deputados da comissão parlamentar de Ética no âmbito das audições sobre liberdade de expressão em Portugal.
“Foi claramente delineado um plano para condicionar a actuação de alguns meios de informação e condicionar alguns empresários e alguns jornalistas”, afirmou, ressalvando, no entanto, que “não terão sido todos” porque muitos não são pressionáveis.
Moniz disse ainda que existe actualmente uma grande fragilidade nas empresas de comunicação social, referindo uma crónica de Mário Crespo que o Jornal de Notícias não publicou.
A sua não publicação aliada “à fragilidade dos grupos de comunicação social, incluindo esse” permite especular.
Para Moniz, não publicar a crónica “foi uma insensatez”.
Durante a sua audição, Moniz falou de pressões por parte de José Sócrates, de Pais do Amaral e ainda de António Costa (na altura ministro da Administração Interna ), dizendo que este ultimo tentou alterar uma peça da jornalista Ana Leal.
Segundo Moniz, António Costa terá ligado para o administrador da Media Capital Miguel Gil, fazendo “enormes pressões” e exigindo que a peça não passasse pois estava alegadamente cheia de incorrecções.
O ex-director da TVI adiantou que mesmo depois de ter falado com a jornalista e de ter visionado a peça, confirmando que era credível, Miguel Gil decidiu encontrar-se com António Costa continuando este a insistir na não divulgação da peça com base em documentos fornecidos por António Costa.
Contudo, adiantou, os documentos fornecidos já tinham sido analisados pela jornalista no início da sua investigação.
(LUSA)