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Edição Impressa, Opinião :: Cronistas

Prefere ser rico e com saúde ou pobre e doente?

5 de Março de 2010 às 15:58:47, por Meios & Publicidade

André Freire de Andrade – CEO Carat Portugal

É uma das expressões da sabedoria popular de que mais gosto, tanto pelo óbvio da mesma como pela ideia que transmite. Ninguém tem dúvidas… Acontece que na vida real, mais vezes do que menos, as organizações e os mercado portam-se como se preferissem a segunda opção.

Parece ser o caso do mercado da publicidade e dos media.

A dimensão da crise de 2009 apanhou de surpresa todos os meios que na maioria dos casos utilizaram o preço como única arma para combater o êxodo dos investimentos e como consequência acabaram com uma forte erosão de margens.

Agora tenta-se, na generalidade, recuperar um pouco da razoabilidade financeira do negócio. Se esse desígnio não pode ser criticado, pois seria uma decisão de qualquer gestor, ainda mais quando ligado por vezes à mais simples das equações económicas, a lei da oferta e da procura, este está a ser realizado em muitas situações de forma errada, potenciando a falta de transparência, não tendo em conta o cenário de crise em que infelizmente vivemos e aumentando a conflitualidade entre os vários intervenientes, em alguns casos de forma inaceitável e com consequências imprevisíveis.

Ao longo de 2009 e apesar dos muitos apelos e explicações de vários intervenientes no mercado sobre a necessidade imperiosa de se criarem incentivos aos investimentos publicitários, as entidades competentes acharam que nada deveria ser feito. Depois dos acontecimentos das últimas semanas, está claro o efeito secundário da crise no sector. Não se trata de proteger alguns interesses particulares, mas sim um dos pilares da democracia: uma comunicação social independente, o que só é possível num mercado minimamente saudável financeiramente pois não há pior e mais forte dependência do que a económica.

Entretanto, o mercado das telecomunicações e media parece andar mais depressa do que os reguladores conseguem decidir. A plataforma da TDT referente aos canais por subscrição ficou obsoleta financeiramente depois do sucesso das novas plataformas de distribuição. Então o que se vai fazer com ela? O tema de ser utilizada para os canais HD é mais relevante do que nunca, podendo criar diferenciação e ser criadora de valor.