O director do Expresso disse ao Parlamento que o semanário já foi alvo de pressões políticas e económicas, alegando ter sido alvo de boicotes quer por parte do Governo quer por parte do Banco Espírito Santo.
Segundo Henrique Monteiro, a única pressão que teve efeitos económicos foi a do BES, uma vez que o banco, durante um ano e meio, retirou a publicidade daquele título depois de uma crónica que considerou ofensiva.
“A maior pressão ao Expresso, ainda não era eu director, foi do poder económico, do BES”, afirmou Henrique Monteiro em comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura que está a debater a liberdade de expressão em Portugal.
Em 2004, o Banco Espírito Santo (BES) cortou campanhas de publicidade ao conjunto de meios do grupo Impresa, que inclui o Expresso, devido o tratamento jornalístico dado pelo semanário ao processo de privatização da Galp, que sugeria que o banco estava a servir os interesses norte-americanos.
A pressão mais inédita no Expresso foi feita pelo Governo de José Sócrates a propósito de notícias sobre a licenciatura do primeiro ministro.
“O primeiro ministro telefonou-me uma noite e esteve mais de hora e meia a pedir-me para não publicarmos uma notícia sobre a sua licenciatura”, contou Henrique Monteiro, acrescentando que “se isto é uma pressão legitima, não hã pressões ilegítimas”.
De acordo como director, a decisão do jornal foi avançar com as notícias em causa, tendo “pago um preço por isso”.
“Passámos a ter maior dificuldade de acesso à informação institucional”, explicou.
(Lusa)