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Marketing :: Artigos de Fundo

‘Nunca seremos concorrentes das produtoras de som’

19 de Fevereiro de 2010 às 05:56:18, por Pedro Durães

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A agência de voz Addvoices celebrou esta semana três anos de actividade. Foram anos em que foi necessário ultrapassar o hábito corrente em Portugal de se falar mal de tudo o que é novidade. Quem o diz é Marta Correia, directora-geral da agência. Agora, apresenta um novo projecto, o Addmusic, que abre as portas da Addvoices ao sector da música.

Meios & Publicidade (M&P): Lançaram um novo serviço, o Addmusic. Como surgiu o conceito?

Marta Correia (MC): O mercado tinha a necessidade de alguém que ajudasse a pensar em temas, em novas bandas, músicas que saem lá fora e que ainda são desconhecidas cá. Não há um consultor musical que trabalhe esta área da publicidade, é algo que acaba por ser feito pelo realizador, por alguns músicos dos estúdios ou até pelos próprios directores criativos. E nós, com a ajuda do Rui Portulez [locutor da rádio Oxigénio e crítico musical do Ípsilon], pensámos no que podíamos fazer para dar uma resposta a esta lacuna.

M&P: Vai ser um serviço de consultoria?

MC: Sim, actuará em consultoria musical para publicidade. O Rui Portulez é uma pessoa que vive e respira música e, portanto, tem todo o perfil para poder ser chamado por um director criativo, receber um briefing e ir para casa pensar e propor temas. Assim, quando se pensa numa fase de pré-produção ou até de criação de uma campanha já se pode estar a pensar na música. Quando se parte para as filmagens já se poderá ter a música e, no limite, o licenciamento.

M&P: Além da consultoria, avançam com o processo de licenciamento.

MC: O licenciamento é complicado e demora muito tempo. Há que ter canais abertos para que todo esse processo burocrático seja encurtado porque a publicidade é muito rápida e, por vezes, as autorizações não chegam a tempo e é preciso optar por outras soluções. É um trabalho paralelo, ainda em pré-produção já podemos estar a tratar directamente do licenciamento lá fora. No fundo, trata-se de aliar à rapidez alguém que é um expert em música a pensar em temas desconhecidos, fazer um trabalho que vem ser uma mais-valia para todo o processo publicitário. No caso de ser necessário fazer um arranjo ou um cover, licenciamos o direito de autor e depois canalizamos para os estúdios para fazer esses arranjos.

M&P: Já dispõem de contactos privilegiados para esses processos de licenciamento?

MC: Já, mas não posso adiantar nada para já.

M&P: A publicidade tem funcionado muito como rampa de lançamento para novas bandas. Essa é também uma aposta que pretendem fazer?

MC: Sem dúvida. Através da internet, sabemos que é muito fácil conhecer bandas e novos talentos mas esse é um trabalho que o Rui também quererá fazer e satisfazer as pessoas nesse sentido.

M&P: Neste momento são as produtoras de som que fazem esse trabalho. A Addvoices vai assumir-se como concorrente?

MC: As produtoras são minhas parceiras, sem elas a Addvoices não faria sentido. Tenho sempre muito cuidado em tudo aquilo que lanço de forma a não entrar em concorrência com o trabalho delas. Antes de o fazer falei com todos e tentei perceber o que representava para eles o licenciamento. Mas para além de não haver ninguém num estúdio com tempo para pensar exclusivamente na consultoria musical, e quando têm de o fazer é sempre uma coisa muito complicada, leva muito tempo e muitos contactos, há muita pressão do lado dos clientes porque não há respostas. É um serviço que cansa e não é disso que um estúdio vive. Acaba por ser um pouco concorrente porque se vamos usar um tema licenciado, não se vai compor um tema em estúdio nem vai ser utilizado um tema de livraria musical. Mas para mim era fundamental esclarecer isso. Nunca fomos nem nunca seremos concorrentes das produtoras de som.

M&P: Este novo serviço vai implicar uma reorientação dos objectivos da empresa?

MC: É um novo caminho para crescermos um pouco mais para além daquilo que temos a nível de serviço de voz. No ano passado lançámos o Addtraductions para dar resposta em termos de anúncios que precisavam de ter a voz traduzida.

Paralelamente temos o Addlearning que é a formação que damos às pessoas que precisam de uma formação contínua neste campo. E agora o Addmusic é mais um segmento da Addvoices, que esperamos que nos ajude a crescer, mas que não vai exigir grandes investimentos porque é um serviço trabalhado com um consultor externo em exclusividade.

M&P: Mas qual será o peso deste novo serviço no volume de negócios da Addvoices?

MC: Para arranque, estimamos que em termos anuais ronde os 10 por cento, se tanto.

M&P: Acabaram de celebrar três anos de actividade. Que balanço faz deste período?

MC: Quando iniciámos actividade neste sector foi um choque para alguns e uma novidade para outros e, como é normal no nosso país, o que é novidade é sempre alvo de críticas. Mas hoje isso está ultrapassado. Conseguimos o mérito de juntar aqui uma classe que estava um pouco desavença, um universo de vozes dispersas. Conseguimos também ganhar a confiança dos clientes nas nossas sugestões.

M&P: Quais são os segmentos de voz com mais procura na vossa agência?

MC: A publicidade representa 70/80 por cento. De resto, temos vários projectos em vozes para jogos de Playstation, Nintendo, dobragens para filmes, documentários, vozes de canal (Fox, Fox FX, Disney Cinemagic).

M&P: Que outros projectos tem em andamento?

MC: Nos últimos dois anos trabalhamos em exclusivo as vozes da comunicação da PT. Este ano mudaram e agora vai arrancar a nova campanha da TMN, que tem o Marco Delgado como voz, e o Pedro Fernandes renovou para a Meo. Em relação à Sonae estamos a trabalhar o Modelo e o Continente, a Cláudia Vieira renovou pelo Modelo e o João Vaz pelo Continente. Temos agora também o mercado angolano, começámos a procurar vozes angolanas e temos já cerca de 50. Todas as semanas estamos a gravar para Angola. É um grande volume de trabalho e o mercado da publicidade está em crescimento. Estamos a fazer em Angola a Unitel, BPA, Millennium, Monsaraz, Western Union, Sonangol…