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Diretor do Diário Económico garante que nunca se sentiu condicionado

19 de Fevereiro de 2010 às 02:00:00, por Meios & Publicidade

O diretor do Diário Económico, António Costa, garantiu hoje no Parlamento que em “nenhum momento” desde que está no cargo, o trabalho desenvolvido no jornal foi condicionado pelo presidente da Ongoing, empresa que detém o jornal.O jornalista que exerce o cargo de diretor do Diário Económico desde Junho de 2008 falava hoje na comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura, no Parlamento, no âmbito do processo sobre liberdade de expressão e alegada interferência do Governo na comunicação social.

(Lusa)
“Em nenhum momento desde que sou diretor, o presidente da Ongoing condicionou direta ou indiretamente a atuação do Diário Económico ou de algum jornalista. A linha editorial do jornal é definida por mim e as opções que fiz enquanto diretor são opções fundadas em razões editoriais”, disse.

Aos deputados garantiu ainda que nunca foi manipulado no caso de uma notícia de Junho de 2009 sobre o interesse da Telefonica na Prisa, empresa detentora da Media Capital.

O Sol e o Diário de Notícias escreveram, com base nas escutas ao caso Face Oculta, que o Diário Económico publicou uma notícia “plantada” e “encomendada” sobre o interesse da Telefónica na TVI.

À pergunta directa “foi manipulado”, António Costa respondeu “não, não fui e, de facto, a Telefonica entrou mais tarde na Prisa”, através de uma empresa de Cabo, em Espanha, a Digital Plus.

Hoje em resposta a perguntas dos deputados, o diretor do Diário Económico, disse que um jornal só pode ter sucesso se for independente porque “os leitores não são estúpidos”.

O seu jornal, frisou, subiu as vendas em 2009 um dado que, segundo ele, indica que na verdade que os leitores acreditam na publicação.

“Não escrevo notícias a pensar quem favorece ou quem não favorece” disse adiantando, contudo, que em meios de comunicação social na área económica é mais fácil haver pressões de grupos empresariais do que da área politica.

António Costa disse ainda que um jornal que não cede a pressões é sempre forte do ponto de vista financeiro.

“O melhor barómetro da independência do jornal é o mercado”, frisou.

Relativamente ao primeiro-ministro, António Costa disse que em termos de substância não existe grande diferença em relação a governos anteriores, mas que é um fato que este primeiro-ministro se “irrita com facilidade” e que “deitou-se na cama que fez, elegendo a comunicação social como alvo quando esse não é o alvo”.

“Cometeu esse erro mais do que uma vez e acabou por pagar mais que outros outros responsáveis governamentais numa relação que tem sido difícil. Não tenho dúvida nenhuma em dizer”, frisou.

António Costa é a terceira pessoa a ser ouvida pela comissão parlamentar de Ética, Solidariedade e Cultura na sequência de um requerimento do PSD, aprovado com os votos favoráveis de toda a oposição, para ouvir 25 pessoas, às quais foi acrescentada mais uma audição, a do ministro dos Assuntos Parlamentares, proposta pelo CDS-PP.