Cerca de 95 por cento da produção portuguesa de calçado destina-se à exportação, segundo dados oficiais.As empresas deste sector, na sua maioria a laborar entre Felgueiras e Santa Maria da Feira, tiveram nos últimos dez anos que reformular o seu negócio. Tradicionalmente, eram contratadas por marcas de prestígio internacional porque os custos eram mais baixos do que os de Itália, Reino Unido ou Alemanha. A abertura dos mercados permitiu que outros países, com condições ainda mais vantajosas do que as portuguesas, começassem a captar essa mesma produção. Índia, China, Norte de África e, até mesmo dentro da União Europeia, a Roménia, são agora os destinos de referência. Com esta mudança de paradigma, as empresas nacionais viram-se obrigadas a criar marcas próprias para continuar a alimentar as suas linhas de produção. Sem know-how suficiente no mercado interno para desenhar as colecções, os empresários portugueses foram aos estúdios de design italianos buscar os modelos para as suas peças. “O design italiano e a produção portuguesa podem ser a nossa mais-valia”, sintetiza ao M&P?um empresário do sector. Sinal da importância que esta indústria representa para o país são os milhões de euros destinados para a sua promoção fora de portas, principalmente em feiras que permitam o contacto com agentes comerciais. Apesar de todo este esforço, há todo um trabalho de comunicação para o público interno que tem de ser feito. À excepção da Fly London, praticamente nenhuma marca é reconhecida pelos portugueses em geral. É pena. As oportunidades de negócio também existem dentro de casa