A Media Capital (MC) fechou o ano com lucros de 17,6 milhões de euros, valor que representa uma descida de 11% face ao ano anterior. De acordo com o relatório e contas do grupo da TVI, a holding apresentou contudo uma melhoria significativa nos seus resultados líquidos nos três últimos meses do ano, crescendo 84%, para os 7,2 milhões, face a igual período de 2008.A crise ocorrida em 2009, contudo, fez-se sentir nas receitas operacionais da MC que caiem 7%, para os 267,8 milhões de euros. Uma quebra para o qual contribuiu as descidas nas áreas de negócio de televisão (-7%, para 156,6 milhões de euros), entretenimento (-27%, para os 28,1 milhões) e rádio (-4%, para os 13,5 milhões de euros). A publicidade também sofreu uma redução de 13% no grupo, fixando-se nos 149,3 milhões – já no último trimestre do ano, o item melhora 3%, para os 44,3 milhões – bem como os item outros proveitos operacionais, que reduziram 15%, para os 61,9 milhões de euros.
O desempenho do negócio de televisão, de resto, sofreu o impacto da descida anual ocorrida nas receitas de publicidade (-12%, para os 135,2 milhões de euros) – levando a proveitos operacionais de 156,6 milhões, valor que representa uma descida de 7% face a 2008 – apesar da melhoria de 4% ocorrida no último trimestre, período em que as receitas publicitárias se fixaram nos 40,5 milhões de euros. O item outros proveitos, por seu turno, assinala um desempenho positivo, subindo anualmente 40%, para os 21,4 milhões de euros. O item passa a representar 14% do total de proveitos no negócio de televisão (em 2008 era de 9%), reflectindo o contributo do TVI24 e as receitas com a prestação de serviços de apoio técnico, destaca o grupo.
Em termos de custos, o grupo efectuou no último trimestre uma redução de 17% neste item, que se fixam nos 26,5 milhões e contribuem para uma diminuição anual de 9%, levando a um total anual de custos operacionais de 112,8 milhões de euros, fruto das poupanças obtidas com custos de programação. Televisão fecha o ano com um Ebitda de 43,7 milhões (-2%) e um resultado operacional de 37,9 milhões (-4%).
Na produção audiovisual as receitas operacionais subiram 16%, para os 107,9 milhões de euros, e apesar da subida de 14%, para os 95,6 milhões de euros nos custos operacionais, a área obtém um Ebitda de 12,3 milhões (+39%) e um resultado operacional de 9,1 milhões de euros (+146%).
No entretenimento – onde se concentram as operações de música, eventos, cinema e vídeo – os proveitos operacionais caíram 27%, para os 28,1 milhões de euros. Com um último trimestre penalizador para as áreas de Música e Eventos (-56%) e Cinema e Vídeo (-48%) a levar a quebras anuais de 29 e 26%, para receitas de 11 e 17 milhões de euros, respectivamente. Os resultados operacionais, apesar da redução de 4% nos custos (35,1 milhões), ficam no vermelho: menos 7,2 milhões.
A operação de rádio cai 4% nos proveitos operacionais fixando-se nos 13,5 milhões de euros. O desempenho da operação reflecte sobretudo as quebras ocorridas no item publicidade (-6%, para os 12,5 milhões), já que o item outros proveitos melhora 31%, para pouco mais de 1 milhão de euros, tendo ainda sido efectuada um corte de 16% nos custos operacionais. Estes fixam-se nos 13,2 milhões de euros “consequência de um esforço de contenção transversal a toda a estrutura, com particular incidência na redução nos custos de marketing e publicidade e da redução do quadro de colaboradores da MCR em curso desde a parte final de 2008″, justifica a holding. A MCR fecha o ano com um resultado operacional negativo de pouco mais de 2 milhões, o que representa, no entanto, uma melhoria face aos 3,8 milhões de prejuízo verificados em 2008.